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21jun

DEPARTAMENTO DO TORCEDOR REALIZA WORKSHOP COM TORCIDAS E AUTORIDADES

Encontro reuniu Grêmio, torcidas organizadas e reconhecidas, MP, Judiciário, BM e Arena
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A noite desta quarta-feira representou um marco no relacionamento do Grêmio com suas torcidas. Em um workshop realizado no auditório do Conselho Deliberativo, na Arena, o Departamento do Torcedor do Clube reuniu torcidas organizadas, Arena Porto-Alegrense, Brigada Militar, Ministério Público e Juizado Especial do Torcedor. Com apresentações e posterior debate, o encontro serviu para afinar a sintonia entre todos os atores envolvidos em no espetáculo dos jogos do Tricolor. Também foi apresentado o novo processo de cadastramento biométrico dos torcedores.

O presidente Romildo Bolzan esteve presente e saudou a iniciativa do Departamento do Torcedor Gremista em organizar o evento valorizando a harmonia que se busca nas arquibancadas da Arena, citando inclusive o investimento feito pelo Clube na tecnologia necessária ao cadastramento biométrico da sua torcida.

“Essa iniciativa de fazer esse encontro é o coroamento de uma série de iniciativas feitas que visam estabelecer uma convivência plena, harmoniosa e definitiva dentro do estádio do Grêmio. O último fato foi a anistia ampla da Geral, que eu acho um ato extremamente importante do ponto de vista de um gesto de confiança de poder se manifestar como torcida organizada. Foi um ato importante do ponto de vista de busca da harmonia. O Grêmio aportou um valor para facilitar o aspecto da biometria. Foi necessário realizar, para harmonizar o ambiente. Mas eu vejo todo mundo empenhado em buscar aquilo que representam as Torcidas Organizadas. Todas essas questões são importantes, pois o que mais vale é o espetáculo ser harmonioso. Que tudo que se faz dentro do estádios seja única, e exclusivamente, para prestigiar o time”, destacou.

Diretor do DTG desde abril, o advogado Juliano Ferrer foi quem abriu o evento. E chamou a atenção para o trabalho que encontrou pela frente, dizendo que em nenhum momento sentiu qualquer dificuldade no diálogo com as torcidas e as autoridades, e valorizando o desenvolvimento das relações nesses dois meses.

“Essa ideia do workshop partiu do doutor Marco Aurélio Xavier. Na primeira vez em que estive no Juizado, para apresentar a nova diretoria, ele referiu que achava interessante que fizéssemos um workshop para reunir as torcidas. Levamos adiante e estamos inaugurando, quem sabe, o primeiro de muitos encontros. Vou confessar, e temos que ter um evento franco e transparente: quando fui convidado, eu não ouvi de ninguém a frase ‘vai que é barbada’. As pessoas estavam erradas. Estou convivendo com pessoas que têm palavra, as coisas funcionam e estamos conseguindo desenvolver um trabalho bem legal”, disse de início.

Juliano Ferrer também explicou qual é o papel do DTG, e elogiou a conduta das torcidas organizadas no relacionamento com o Clube.

“O DTG é um Departamento que ajuda que funcione essa relação das torcidas. O meu sonho é que a torcida do Grêmio seja reconhecida como a melhor torcida do mundo. Capaz de não perder um jogo na Arena e, em jogos fora, se estabelecer como uma marca do Grêmio. Eu preciso fazer um elogio ao pessoal das torcidas. É extremamente consciente, compreende. Eles seguiram o caminho da conscientização. Não dá para seguir no caminho da violência, da intolerância, e eles compreenderam. Não é esse o caminho”, frisou.

Também compareceram ao workshop os diretores-adjuntos do DTG Marcos Vargas, José Germano Pires Jr., Stefan Ludwig, Guilherme Luce e Claiton Araújo, e o supervisor Thiago Floriano, que também manifestou as intenções do Departamento.

“Esse evento tem a intenção de aproximar ainda mais essas partes que fazem a relação dessa questão de torcida, em especial as organizadas. A gente tem percebido que no RS a gente está indo em uma direção contrária ao que acontece no Brasil. Nessa questão de gestão, então, o Grêmio tem interesse de fortalecer a marca da torcida, respeitando as leis, e um dos pilares responsáveis desse andamento é aproximar as partes que precisam, cada vez mais, ter um entendimento do que pode e o que não pode”, disse.

Trabalhando em sintonia com Ministério Público, Judiciário e Brigada Militar, o Grêmio deu espaço também para os representantes das instituições públicas. Como o comandante do BOE, major Claudio dos Santos Feoli, que valorizou

“Cumprimento o DTG pela iniciativa em propor esse workshop para que nós possamos nos olhar, olho no olho. Que não seja o momento de tensão, na partida, em que todos temos atribuições distintas. O Batalhão de Operações Especiais é responsável pela área interna da Arena. Essa evolução eu tenho acompanhado através dos anos. Talvez esse encontro fosse impensável. Foi importante a inserção do Ministério Público e do Judiciário, que trouxe mais segurança jurídica ao que se fazia naquela época. A nossa atuação, atualmente, é de prevenção. O BOE vem aos estádios dentro de um espectro de atuação mais amplo do que trabalhar no estádio. O BOE faz, entre várias coisas, policiamento em praça desportiva. Nós viemos aqui para sermos tão invisíveis quanto um árbitro. Eu acho que esse é um grande passo. Nós somos parceiros. Se, porventura, os senhores acharem que algo pode dar problema, canalizem via o DTG. E nós vamos achar uma solução conjunta. A Brigada, com o BOE, é parceira para qualquer entendimento”, destacou o comandante, que foi seguido pelo representante do 11 Batalhão, responsável pelo policiamento na área externa da Arena. O capitão Wellington de Oliveira agradeceu ao Grêmio e suas torcidas pela evolução da convivência.

“Quero agradecer a tolerância, o respeito, a compreensão que temos notado que vem evoluindo nos jogos na Arena. Desde a inauguração do estádio a gente vem notando que essa situação melhora", afirmou.

De parte do Ministério Público, falou o promotor Márcio Bressani, da Promotoria do Torcedor do MP-RS. Em sua explanação, falou do papel da Promotoria na interlocução com o Grêmio e suas torcidas.

“Eu não concebo, como promotor de Justiça, outra visão sem respeitar a instituição do Judiciário. Como não concebo outra visão sem respeitar que, acima de tudo, a interlocução primeira vai ser com o Grêmio. A partir disso, eu sempre disse que a abordagem da Promotoria do Torcedor é eminentemente de Segurança Pública. É para isso que o Ministério Público está investido nessa função. Nosso viés é preventivo, vem antes da repressão. Nós queremos aproveitar esses momentos, de compreensão das ideias pacificadoras, e essa calmaria, para avançar no sentido de construir soluções importantes para as festas nos estádios”, afirmou. Em seguida, garantiu que o canal de diálogo estará sempre aberto.

“A Promotoria está aberta para o diálogo com todos. Nós queremos construir uma realidade que seja boa para todos”.

Nos dias de jogos, o JECRIM da Arena abriga o Poder Judiciário, através do Juizado do Torcedor. Responsável pelo trabalho, o doutor Marco Aurélio Xavier ressaltou a importância e o papel de liderança que as torcidas organizadas têm no contexto de uma partida de futebol, sublinhando a responsabilidade de todos os atos durante uma partida.

“As Torcidas Organizadas têm uma importância muito grande. Elas lideram o estádio. São maestros no ato de torcer. São extremamente importantes. Mas essas lideranças geram responsabilidades. É muito importante termos essa consciência. A ética institucional não pode destoar do bem comum. O Juizado do Torcedor, como o MP, a Brigada Militar, e inclusive os clubes, está ali para estar ao lado do torcedor ordeiro. O torcedor que contribui para que tenhamos um ambiente sadio”, destacou.

Para o juiz, o Grêmio é motivo de importante reconhecimento por conta da postura adotada em relação aos seus adversário e aos cuidados necessários no ambiente de jogo.

“Saúdo o Grêmio. O clube tem um papel fundamental no povo brasileiro. O presidente de um clube como o Grêmio tem maior poder de mobilização que qualquer governante. Lida com paixões, mobiliza as pessoas por aquilo que mais as motiva. É muito importante a atuação direta dos dirigentes de clube. Ele sintetiza o modo de pensar, o modo de torcer dos seus seguidores. E eu faço um cumprimento muito especial ao presidente Romildo Bolzan. O papel do clube é fundamental, exatamente de polarização dessa paixão, do ato de torcer”, finalizou.

Por fim, representando a Arena Porto-Alegrense, parceira do Clube na gestão do estádio, falou Gabriel Meneghetti, diretor de operações. Inicialmente, Gabriel explanou o interesse da Arena no bom andamento da festa da torcida tricolor, ressaltando que o Grêmio e sua torcida são as razões de ser de um ativo tão importante para Porto Alegre.

“A Arena Porto-Alegrense está aqui para gerir um ativo, que está aqui para receber um torcedor do Grêmio. Sem o torcedor, não existe nada. Sem o Grêmio não existe nada. Às torcidas, o querer estar aqui dá a dimensão de como vocês querem as coisas e estão interessados em construir as coisas em conjunto. A razão do Grêmio existir é a sua torcida, sua paixão. A missão da Arena é fazer a melhor recepção possível ao torcedor do Grêmio. Da melhor forma. Que o serviço oferecido seja um dos melhores possíveis”, afirmou Gabriel.

Logo depois, o diretor de operações da Arena apresentou e detalhou, em primeira mão, o processo de cadastramento das torcidas organizadas - que será divulgado nos próximos dias, com orientações de como e onde ocorrerá o procedimento.

Ao final do encontro, os torcedores e os expositores trocaram ideias e experiências, em um debate com perguntas e respostas que teve como objetivo esclarecer quaisquer dúvidas pendentes e alinhar ainda mais o compromisso pela harmonia e a manutenção da inigualável festa da torcida tricolor.

Entre as Torcidas Organizadas, estiveram presentes: Garra Tricolor, Geral do Gêmio, Torcida Jovem e Velha Escola. Também foram à Arena representantes Núcleo de Mulheres Gremistas e representantes dos movimentos Grêmio Independente, Grêmio Unido, Grêmio Democrático e do Departamento Consular, assim como o Assessor da Presidência, Coronel Melo, e o executivo de Marketing, Beto Carvalho.

Foto: Lucas Uebel / Grêmio FBPA


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