O gol de Portaluppi aos 3 minutos da prorrogação, no dia 10 de dezembro de 1983, no Estádio Nacional de Tóquio, não dava apenas o título e a projeção mundial ao Grêmio. Aquele gol, como tatuagem, marcava pra sempre seu nome na história do Tricolor e na memória de cada torcedor gremista.
Renato nunca escondeu o amor e a admiração pelo clube que o projetou. O Grêmio permaneceu sempre em seu coração, mesmo estando distante dele. Não tem como separar uma história da outra. Parece que existe mesmo, entre os dois, um pacto quase que sangüíneo.
Sua relação com o torcedor do Grêmio é de causar inveja. Renato é sempre apontado como o jogador mais importante da história do Grêmio. É, definitivamente, o maior ídolo do torcedor, mesmo após 22 anos daquela conquista histórica.
A torcida gremista é tão fiel ao seu ídolo que está junto dele mesmo quando ele está do outro lado. No último sábado, tivemos a prova do amor e da idolatria desta torcida por Portaluppi. Ainda no aeroporto, quando desembarcava com a delegação Vascaína, Renato foi recepcionado por diversos torcedores; muitos deles nem existiam quando o Grêmio sagrou-se Campeão Mundial. Pequeno detalhe para quem aprendeu desde cedo o que representa o nome de Renato Gaúcho.
Após comandar o treinamento do Vasco no gramado suplementar do Estádio Olímpico, outro momento histórico envolveu Portaluppi. Ele visitaria, pela primeira vez, o Memorial do Grêmio, espaço que contém muito de sua passagem pelo Tricolor. Na presença de sua filha Carolina, de 11 anos, Renato foi aos poucos se familiarizando com o ambiente que lhe trouxe sem dúvidas, muitas lembranças. Carol, como é chamada pelo pai coruja, interessava-se por cada objeto ou imagem que se referisse a Renato. Ela conhecia, naquele momento, muito da história do pai, e o porque ele é tão importante na história do Grêmio.
Renato, diante de tantas memórias, não escondia a emoção. Ali tinha também um pouco dele. E, não deixando de observar cada parte do Memorial, elogiava o espaço, assim como fez o repórter da Rádio Globo do Rio de Janeiro, fazendo a comparação ao memorial do Boca Juniors e Inter de Milão. Conforme ia conhecendo o lugar, Portaluppi concedia entrevistas aos repórteres das rádios de Porto Alegre. E questionado se algum dia treinaria o Grêmio, Renato não escondeu a vontade de retornar ao Estádio Olímpico “claro que espero, um dia, mas tudo tem a hora certa, o momento certo”, afirmou.
Renato Gaúcho e a filha assistiram aos melhores momentos da disputa contra o Hamburgo, pelo Mundial Interclubes. Carol pôde ver o gol antológico do pai, e Renato, reviveu novamente a emoção da partida. Foi como voltar no tempo. Eles ainda deixaram seus nomes gravados no livro de visitas do Memorial, tiraram fotos com a Taça da Libertadores e do Mundial, junto com o Presidente Paulo Odone.
Na saída, mais torcedores aguardavam o ídolo, na esperança de um aperto de mão, de uma foto, de um abraço; algo que ficasse na lembrança. E Renato não decepcionou. Atendeu atenciosamente aos pedidos da sua eterna e fiel torcida, que no domingo, antes do início da partida entre Grêmio e Vasco, reverenciou seu ídolo aos cantos de “ei, ei, ei, Renato é nosso Rei”. O Grêmio também fez sua homenagem ao ex-jogador. Por iniciativa do conselheiro e Assessor da Presidência, Alfredo Oliveira e de Paulo Pelaipe, Portaluppi recebeu, das mãos do Vice-Presidente Carlos Josias, a faixa da conquista do Campeonato Gaúcho. Uma referência a passagem vitoriosa do ídolo Tricolor.
Renato sabe que sua lembrança jamais será apagada da mente e dos corações tricolores. Sua lembrança é tão imortal quanto o próprio Grêmio.
Foto: O Sul - Divulgação