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30jul

LIBERTADORES DE 1983 - 25 ANOS

Retrospectiva da campanha gremista
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O ano de 2008 marca os 25 anos da conquista da primeira Copa Libertadores da América pelo Tricolor.
A partir de hoje, 04 de maio, o site oficial do Grêmio Foot-Ball Porto Alegrense começa a publicar uma retrospectiva daquela vitoriosa campanha de 1983 que culminou com a conquista inesquecível do Mundial Interclubes.
Acompanhe aqui, passo a passo, a trajetória gremista rumo ao maior título do Continente.

O mês de março de 1983 marcou a estréia do Grêmio na Copa Libertadores da América.
O vice-campeonato brasileiro do ano anterior, contra o Flamengo, garantiu o Tricolor pela segunda vez na maior competição do Continente.
Ao contrário da primeira edição quando o Grêmio acabou eliminado na primeira fase enfrentando São Paulo, Defensor e Peñarol, a direção organizou todo um planejamento visando conquistar o título.
Vislumbrando a possibilidade de trazer para o Rio Grande do Sul a maior conquista da história, o presidente Fábio Koff colocou o Mundial do Japão como objetivo maior.
Quando da contratação da comissão técnica, comandada por Valdir Espinosa, Koff deixou bem claro qual seria a missão. 

Vá até o final da página e acompanhe a trajetória do Tricolor dentro da Libertadores de 1983.


Por Márcio Neves da Silva



*Sexta-feira, 15 de julho de 1983

Empate em Cali garante Grêmio na final

Foi dramática a classificação do Grêmio para a grande final da Copa Libertadores da América. Sem poder interferir, ao Grêmio restou apenas torcer.
Torcer para o América de Cali que, já desclassificado, não poderia perder para o Estudiantes no estádio Pascoal Guerrero. Neste caso, a equipe argentina é quem garantiria a vaga na decisão. Jose Sangiovani
Usando de toda sua influencia política, o presidente Fábio Koff viajou para a Colômbia para acompanhar de perto a partida e se certificar que a equipe local apresentaria um desempenho digno. Muito bem recepcionado pelo presidente do América, Jose Sangiovani, Koff recebeu a certeza de que seus jogadores fariam o possível para classificar o Grêmio. Sentado nas tribunas de honra do estádio Pascoal Guerrero, Koff se emocionou ao escutar a torcida local gritar “Grêmio, Grêmio, Grêmio”. Ali ele acreditou.
Necessitando da vitória, o Estudiantes partiu para cima do América pressionando os donos da casa. Inferior tecnicamente, o América passou a dar ponta pé até o zagueiro Espinoza receber cartão vermelho logo aos 19 minutos de jogo.
Acuado em seu próprio campo, os colombianos tiveram no goleiro Falcioni o grande nome do time. Graças a ele conseguiram chegar com o empate sem gols ao intervalo.
Sem conseguir chegar ao gol, os argentinos começaram a se desesperar e tiveram um jogador expulso no início da segunda etapa igualando o número de atletas em campo.
O América cresceu em campo, mas nem assim conseguia levar perigo.
O jogo foi assim até o final e quando o árbitro equatoriano Elías Jácome apitou o final da partida, quem explodiu em alegria foi a torcida gremista que acompanhou a transmissão em Porto Alegre por meio das rádios locais.
Com a vaga garantida na final, restou esperar o sorteio em Montevidéu para decidir os mandos de campo na decisão contra o Peñarol, o atual campeão da competição.

Peñarol vance clássico e vai á final

O Peñarol deixou para a última rodada sua classificação para a final da Copa Libertadores. E nada mais nada menos do que um enfrentamento naquele que é o maior clássico do futebol uruguaio contra o Nacional.
Mais de 70 mil pessoas lotaram o estádio Centenário, na capital uruguaia, para aquele que foi considerado pela imprensa local um dos mais importantes clássicos da história.
Na mesma hora em que a torcida gremista acompanhava com o coração na mão a partida entre América e Estudiantes, o Peñarol vencia seu maior rival pelo placar de 2 a 1. O empate já era favorável ao time do tácnico Hugo Bagnulo, mas a vitória deixou a equipe com mais moral.


*Sexta-feira, 22 de julho de 1983

Empate com gosto de vitória

O sorteio do mando de campo realizado na capital uruguaia apontou a primeira partida no estádio Olímpico e o último jogo em Montevidéu.
Com um amistoso marcado por ter sido o último campeão mundial de clubes próximo a data do jogo final, Peñarol e Grêmio entraram em acordo possibilitando a inversão.
Era tudo o que o Grêmio queria: decidir a Libertadores diante de sua torcida. Para isso, bastava não ser derrotado fora de casa. Em caso de resultado negativo no primeiro jogo, uma vitória na partida seguinte levava a decisão da Copa para um jogo extra, em campo neutro. Neste caso, seria realizado em Buenos Aires.
A proximidade de Montevidéu e Porto Alegre ocasionou uma mobilização jamais vista até então no Rio Grande do Sul. Milhares de torcedores gremistas seguiram rumo à capital uruguaia para empurrar o Grêmio no maior jogo até então nos seus 80 anos de vida. Durante todo o dia, gremistas chegavam de todos os cantos do Estado ocupando as ruas centrais de Montevidéu. Chegaram em caravana ao estádio Centenário sempre contando com o apoio dos torcedores do Nacional dentro daquela tradicional rivalidade local.
Aproximadamente 60 mil fanáticos enfrentaram o frio da noite uruguaia e lotaram o Centenário para o primeiro jogo da decisão.
Ao contrário do que se poderia imaginar, o Grêmio não se deixou influenciar pelo clima hostil. Para quem recém havia enfrentado uma batalha em La Plata, aquele Centenário era fichinha.
Espinosa havia dito durante toda a semana que o Grêmio não seria um time retrancado. E não foi. Esta atitude surpreendeu o time uruguaio que buscava parar os atacantes gremistas à base do pontapé.
Logo aos 12 minutos, escanteio pela esquerda para o Grêmio. Tarciso cobrou forte. Tite se antecipou aos zagueiros e meteu a cabeça para marcar o primeiro gol do Grêmio.
Silêncio no Centenário. Festa dos mais de três mil gremistas presentes e espalhados pelos mais diferentes pontos do Estádio.
Cinco minutos depois, o Grêmio perdeu grande chance para ampliar o marcador: Caio dominou dentro da área, de costas para o gol. De meia bicicleta, deu um giro e concluiu forte. O goleiro Fernandez fez a defesa sobre a linha. Os jogadores do Grêmio chegaram a pedir o gol, mas o árbitro mandou o jogo seguir.
Depois deste lance, o Grêmio recuou e o Peñarol passou a dominar.
Com pouca qualidade técnica, tratou de levantar bolas sobre a área gremista. Em um destes lances, De León não conseguiu afastar de cabeça. Fernando Morena pegou a sobra dentro da área e desviou de Mazarópi para empatar. Eram 35 minutos.
Um minuto depois, um fato curioso: o auxiliar Arturo Ithurralde escorregou na na linha lateral e faturou o braço. Ele acabou sendo substituído pelo uruguaio Juan Cardelino, quarto árbitro.
Terminou empatado o primeiro tempo.
Na base da raça e da pressão da torcida, o Peñarol voltou disposto a buscar a vitória.
Martelou durante todos os primeiros 30 minutos, mas, apesar do domínio, não conseguiu criar boas chances.
Vendo que não conseguiria romper a barreira defensiva gremista passou a se desesperar.
Aproveitando-se da situação, o Grêmio igualou as ações nos últimos 15 minutos e até teve boa chance de marcar com Titã. O jogador gremista demorou para concluir e acabou perdendo.
No último minuto, Baidek vacilou e Venâncio Ramos só não marcou porque chutou forte. Era a última oportunidade dos donos da casa.
Com o apito final do árbitro Teodoro Nitti, jogadores, dirigentes e torcedores comemoraram muito o resultado e a possibilidade de conquistar o título no estádio Olímpico.
Sempre com os pés no chão, o técnico Valdir Espinosa se deparou com um problema novo para administrar: a euforia. 

Ficha técnica:

PEÑAROL 1 x 1 GRÊMIO
22/07/1983
Copa Libertadores da América
Jogo 11
Estádio Centenário - Montevidéu

PEÑAROL:
Fernandez; Montelongo, Olivera, Gutierrez e Diogo; Bossio, Salazar e Saralegui; Silva (Villareal), Morena e Ramos.
Técnico: Hugo Bagnulo

GRÊMIO:
Mazarópi; Paulo Roberto, Baidek, De León e Casemiro; China, Osvaldo e Tita; Renato, Caio (César) e Tarciso.
Técnico: Valdir Espinosa

GOLS:
Tita (GRE – 12 do 1ºT)
Morena (PEN – 35 do 1ºT)

ARBITRAGEM:
Teodoro Nitti
Juan Romero e Artur Ithurralde (Juan Cardelino)

BANCO DE RESERVAS
Beto, Leandro José , Paulo César e Tonho.



*Sexta-feira, 08 de julho de 1983

A Batalha de La Plata

A inesquecível Batalha de La Plata mereceia um capítulo todo especial para contar esta trajetória que levou o Grêmio a seu primeiro título sul-americano.
Fatores muito além do futebol estiveram envolvidos na partida decisiva do dia 8 de julho de 2008 na cidade argentina de La Plata.
O país vizinho vivia a realidade da guerra das Malvinas contra a Inglaterra. A inferioridade diante do exército bretão atingia em cheio uma das mais exacerbadas características do povo argentino: o orgulho.
Em meio a tudo isso, surgiu a notícia de que aviões ingleses haviam recebido auxílio do Brasil possibilitando que pousassem na Base Aérea da cidade de Canoas para reabastecimento. A informação, procedente ou não, revoltou os argentinos justo às vésperas do Grêmio desembarcar no país.
Com pouco tempo de descanso após a vitória da quarta-feira contra o América, a delegação optou por mudar o vôo para a capital portenha: ao invés de descer no aeroporto de Ezeiza, na grande Buenos Aires, o grupo preferiu o vôo com escala em Montevidéu e pouso no Aeroparque, quase no centro da cidade. Por incrível que pareça, o Grêmio ganhou duas horas a mais chegando ao hotel por volta das 20h ao invés das 22h como apontava a programação anterior.
Líder do grupo, o Grêmio desembarcou em La Plata com 4 pontos ganhos contra 2 pontos de América e Estudiantes. A vitória garantia o Tricolor na grande decisão da Libertadores. Um empate, por sua vez, deixaria o Grêmio dependente da última partida da fase entre América e Estudiantes, na Colômbia.
As hostilidades começaram antes mesmo do ônibus que levava a delegação estacionar ao lado do acanhado estádio Jorge Luis Hirschi. Várias pedras atingiram o veículo. Jogadores e dirigentes tiveram dificuldades para entrarem no vestiário.
Já no gramado, a pressão e as hostilidades vinham de todas as partes: cânticos racistas contra brasileiros e torcedores atirando pedras.
Antes do início da partida, o árbitro uruguaio Luis de La Rosa (que substituiu Martinez Basan em cima da hora) apresentou cartão amarelo para o atacante Trobbiani. Uma pequena amostra do que ele viria a enfrentar durante os 90 minutos.
Com a bola rolando, o Estudiantes buscava tirar proveito de todos os fatores locais: com uma agressividade descontrolada, distribuíam patadas nos brasileiros e pressionavam a arbitragem.
Aos 32 minutos, China cometeu falta em Trobbiani e foi chutado pelo argentino. O árbitro apresentou cartão vermelho para o atleta do Estudiantes e amarelo para o gremista. Revoltados com a decisão, os jogadores do time dono da casa passaram a empurrar o árbitro até que Ponce também foi expulso.
Mesmo com dois jogadores a menos em campo, foram os argentinos que abriram o marcador justamente na cobrança da falta que originou toda a confusão. Gugnale aproveitou falha da defesa tricolor e chutou forte na saída de Mazarópi. Eram 38 minutos.
Tocando bem a bola no péssimo gramado, o Grêmio chegou ao empate aos 44: Osvaldo, pela esquerda, chutou cruzado de dentro da área. 1 a 1.
A violência dos jogadores argentinos seguiu até mesmo durante o intervalo da partida. No túnel que levava os jogadores aos dois vestiários, o atacante Caio foi agredido com socos e chutes tendo fratura da tíbia. César voltou para o segundo tempo em seu lugar.
E foi o mesmo César que virou o placar para o Grêmio aos 8 minutos. Grêmio 2 a 1.
Logo após o Estudiantes ter mais um jogador expulso, Renato desceu em velocidade pela direita, driblou dois adversários e chutou na saída do goleiro. Grêmio 3 a 1 aos 18 minutos.
Aos 31 minutos, Gurrieri marcou o segundo gol dos argentinos para delírio da torcida.
Completamente descontrolados, os jogadores se atiraram com tudo para frente acuando os gremistas.
Logo depois, o Grêmio chegou ao quarto gol que foi inexplicavelmente anulado por um impedimento inexistente de Osvaldo.
Faltando apenas quatro minutos para o final, Russo conseguiu o que parecia impossível: o gol do empate.
O resultado trouxe de volta um pouco do orgulho argentino e impossibilitou ao Grêmio a classificação para a final de forma antecipada.
Mais do que a vergonha de ceder o empate contra apenas sete jogadores em campo, para o Grêmio restou o consolo de deixar La Plata com vida.
O Tricolor passou a depender de pelo menos um empate do eliminado América de Cali contra este mesmo Estudiantes para garantir vaga na final.
Fábio Koff tratou de trabalhar nos bastidores. 

Ficha técnica

ESTUDIANTES 3 x 3 GRÊMIO
08/07/1983
Copa Libertadores da América
Jogo 10
Estádio Jorge Luis Hirschi – La Plata

ESTUDIANTES:
Bertero; Camino, Gette (Tevez), Aguero e Gugnali; Ponce, Russo e Sabella; Trama, Trobbiani e Gurrieri
Técnico: Hugo Manera

GRÊMIO:
Mazarópi; Paulo Roberto, Leandro, De León e Casemiro; China, Osvaldo e Tita; Renato, Caio (César) e Tarciso (Tonho).
Técnico: Valdir Espinosa

GOLS:
Gugnali (EST – 38 do 1ºT)
Osvaldo (GRE – 44 do 1ºT)
Cesar (GRE – 8 do 2ºT)
Renato (GRE – 18 do 2ºT)
Gurrieri (EST – 31 do 2ºT)
Russo (EST – 41 do 2ºT)

ARBITRAGEM:
Luis de La Rosa
Ramón Barreto e Artemio Sension (URU)

BANCO DE RESERVAS
Beto, Newmar , Róbson, Tonho e Cesar.



*Quarta-feira, 06 de julho de 1983

Brilha a estrela do goleiro Mazarópi

O mau tempo desabou sobre Porto Alegre naquela primeira semana de julho. O inverno rigoroso teve influência direta na campanha do Grêmio na Copa Libertadores: após a derrota contra o América, em Cáli, o Tricolor voltava a enfrentar a equipe colombiana no jogo do Olímpico. Primeiramente, um encontro marcado para o dia 05 de julho, uma terça-feira à noite. Nesta data, uma forte chuva desabou sobre a capital gaúcha deixando o gramado do Monumental impraticável. Sem muita opção, a partida acabou sendo transferida para o dia seguinte, às 15h.
Além de ser um dia de semana prejudicando público e renda, o Grêmio passou a se preocupar com o pouco tempo de recuperação para a partida da sexta-feira, contra o Estudiantes, em La Plata: pouco mais de 48 horas.
Com a intensão de pedir o adiamento da partida contra os argentinos, a direção gremista, via Federação Gaúcha e Confederação Brasileira de Futebol, encaminhou um telex para a Sul-Americana, mas o pedido não foi aceito e a partida acabou confirmada para sexta-feira, à noite.
Apesar do horário e do mau tempo, mais de 24 mil pagantes estiveram presente no Olímpico, na tarde de quarta-feira.
Na escalação, Espinosa surpreendeu colocando Tarciso na ponta-esquerda, no lugar de Tonho. O objetivo era “entrar em campo com três atacantes e liberar o líbero e o zagueiro que gruda no centroavante”, afirmou o treinador gremista. A decisão de colocar Tarciso como titular foi tomada após uma reunião secreta antes do treinamento de segunda-feira, com as presenças de De León e Tita. A idéia de Espinosa foi aceita pelo grupo.
O Grêmio começou a partida disposto a decidir logo nos primeiros minutos. Renato estava endiabrado e tratou de colocar os colombianos na roda apesar das péssimas condições do gramado.
Ainda com toda a superioridade e total domínio, a bola teimava em não entrar fazendo do goleiro Falcione o melhor homem em campo.
Aos 23 minutos da primeira etapa, Renato cruzou da direita e Caio entrou de cabeça para abrir o marcador. Grêmio 1 a 0 no primeiro tempo.
Sem muito a perder, os visitantes voltaram para a etapa final dispostos a empatar a partida. E conseguiram logo aos 13 minutos: Bataglia entrou à drible pela esquerda e chutou rasteiro, no canto direito de Mazarópi. 1 a 1.
A alegria colombiana durou pouco: dois minutos depois, após uma cobrança de falta e confusão na área do América, Osvaldo pegou a sobra e chutou fraco. A bola bateu na trave e morreu no fundo das redes. Era o gol da vitória gremista: 2 a 1.
Apesar do susto do gol do empate, a partida transcorria normalmente com o Grêmio pressionando em busca de um placar mais dilatado. Porém, aos 23 minutos da etapa final, uma bola cruzada da esquerda pelo ataque do América foi parar no braço de Baidek. O árbitro chileno, Hernán Silva, apontou penalidade máxima para desespero dos gremistas. Não era pra menos, um empate deixava a equipe tricolor praticamente alijada da possibilidade de chegar à final.
O centroavante Ortiz partiu para a bola e chutou forte, alto, no meio do gol. Mazarópi esticou o braço mandando a bola para escanteio. Uma das mais importantes defesas da história do Grêmio. O goleiro gremista, além de justificar sua contratação e todo o esforço da direção gremista para fazer sua inscrição, garantiu o Tricolor com chances na competição.
Sem tempo para treinar, era hora de embarcar para Argentina buscar a classificação pra final em La Plata, contra o Estudiantes.


Ficha técnica

GRÊMIO 2 x 1 AMÉRICA
06/07/1983
Copa Libertadores da América
Jogo 09
Estádio Olímpico

GRÊMIO:
Mazarópi; Paulo Roberto, Baidek (Leandro), De León e Casemiro; China, Osvaldo e Tita; Renato, Caio e Tarciso.
Técnico: Valdir Espinosa

AMÉRICA:
Falcioni; Porras, Reyes, Espinoza e Chaparro; Gonzales Aquino, Alfaro, Caicedo; Bataglia, Ortiz e Teglia.
Técnico: Gabriel Uchoa

GOL:
Caio (GRE – 13 do 1ºT)
Bataglia (AME – 13 do 2ºT)
Osvaldo (GRE – 14 do 2ºT)

ARBITRAGEM:
Hernan Silva
Guillermo Budge e Mario Lira (CHI)

BANCO DE RESERVAS
Beto, Leandro , Róbson, Tonho e Cesar.




*Sexta-feira, 24 de junho de 1983

Grêmio conhece sua primeira derrota

O dia 24 de junho marcou a primeira e única derrota do Grêmio dentro da Copa Libertadores de 1983.
Depois de vencer o Estudiantes de La Plata, no Olímpico, na abertura da fase semifinal da competição, a equipe viajou para Cáli, na Colômbia, com o objetivo de trazer mais um resultado positivo no embate contra o América.
Apesar da superioridade dentro de campo, a equipe de Espinosa acabou sentindo o desgaste da viagem na etapa final.
O Tricolor teve duas boas chances de marcar nos primeiros 45 minutos, mas Tonho desperdiçou. O goleiro argentino Falcioni passou a ser o grande nome da partida.
Aos 35 minutos, Renato foi derrubado dentro da área quando se preparava para concluir. O árbitro peruano Carlos Montalban consultou o auxiliar e nada marcou.
A decisão revoltou dirigentes e jogadores do Grêmio que deixaram o gramado no intervalo reclamando bastante. O mais exaltado era o vice de futebol, Alberto Galia.
Empurrados pela torcida, os donos da casa voltaram melhor para o segundo tempo.
O Grêmio, por sua vez, sentiu a pressão e acabou cedendo espaço até o gol do América que abriu o marcador: Gonzáles Aquino pegou uma sobra na entrada da área e chutou forte para vencer Mazarópi.
América 1 a 0.
Tentando reverter o placar, Valdir Espinosa colocou Tarciso e César nos lugares de Tonho e Caio, respectivamente.
Infelizmente, as modificações não surtiram efeito e o Grêmio acabou retornando da Colômbia com seu primeiro resultado negativo.
As duas equipes voltariam a se enfrentar no dia 5 de julho, no Olímpico.
Antes disso, Estudiantes e América jogariam em La Plata, no dia 1º.
O resultado não foi desesperador, mas uma vitória sobre o América, em casa, passou a ser fundamental.

Ficha técnica

AMÉRICA 1 x 0 GRÊMIO
24/06/1983
Copa Libertadores da América
Jogo 08
Estádio Pascoal Guerrero - Cáli

AMÉRICA:
Falcioni; Porras, Reyes, Espinoza e Chaparro; Gonzales Aquino, Alfaro (Sierra), Caicedo; De Avila (Lugo), Ortiz e Teglia.
Técnico: Gabriel Uchoa

GRÊMIO:
Mazarópi; Paulo Roberto, Baidek, De León e Casemiro; China, Osvaldo e Tita; Renato, Caio (César) e Tonho (Tarciso).
Técnico: Valdir Espinosa

GOL:
Gonzales Aquino (AME – 24 do 1ºT)

ARBITRAGEM:
Carlos Montalban
Edson Peres e Enrique Labo

BANCO DE RESERVAS
Beto, Leandro José, Róbson, Tarciso e Cesar. 



*Terça-feira, 21 de junho de 1983

Vitória fundamental na abertura das semifinais

Com 11 pontos conquistados na fase classificatória, o Grêmio chegou à etapa de semifinal com o melhor retrospecto dentre os três participantes do Grupo A.
Invicto até então, o Tricolor fez seis jogos com cinco vitórias e um empate.
Como adversários, o campeão argentino do Estudiantes de La Plata e os colombianos do América de Cali.
Os argentinos sofreram duas derrotas na primeira fase e ainda assim conseguiram a classificação no último jogo contra o Ferro Carril.
A campanha do América já foi melhor: terminou o Grupo 3 invicto, com quatro vitórias e dois empates.
O calendário apresentou o Grêmio fazendo sua estréia na semifinal contra o Estudiantes, em Porto Alegre.

Após o afastamento de Remi do time titular, a direção gremista tratou de buscar uma alternativa para o gol. Fábio Koff anunciou a contratação do experiente Mazarópi, campeão carioca de 1982 pelo Vasco da Gama.
Restava ao Clube utilizar sua influência política para conseguir a inscrição do atleta junto à Sul-Americana. Naquela época, a inscrição de um novo jogador só era permitida em caso de lesão de um jogador previamente listado.
Aproveitando-se da reunião da entidade na cidade de Lima, no Peru, quando foram decididos os grupos e os jogos da fase semifinal, o presidente Fábio Koff acabou fazendo prevalecer seu pedido e Mazarópi foi inscrito com a camisa número 24 no lugar de Odair, lesionado.
No dia 16 de junho de 1983, Mazarópi entrava em campo no Estádio Olímpico para fazer sua estréia com a camisa do Grêmio.
Era a abertura do Gauchão 83 contra o Inter de Santa Maria: vitória gremista por 2 a 0.
Cinco dias depois, numa noite fria de terça-feira, o Tricolor voltava ao Olímpico para abrir a fase semifinal da Copa Libertadores contra o Estudiantes.

Pouco mais de 24 mil torcedores estiveram presentes no Monumental para empurrar o time à vitória sobre os campeões argentinos.
Apesar da superioridade gremista durante toda a partida, a vitória foi conquistada de forma dramática, no finalzinho.
Osvaldo abriu o marcador logo aos cinco minutos de partida: ele recebeu de Caio e arriscou da intermediária. A bola encobriu o goleiro Bartero e entrou no ângulo direito.
O início fulminante terminou por aí.
O Estudiantes abandonou seu esquema defensivo e partiu pra cima do Grêmio.
Aos sete minutos, Mazarópi fez grande defesa em cobrança de falta e, quatro minutos depois, Gurrieri marcou o gol de empate. 1 a 1.
Passado o susto, o time de Espinosa voltou a dominar as ações. O poder ofensivo da equipe na primeira etapa transformou o goleiro Bartero no principal nome da partida.
O ritmo diminuiu no segundo tempo, mas ainda assim o Grêmio seguiu dominando.
Aos 12 minutos, Espinosa surpreendeu tirando Renato e colocando Tarciso. A substituição dividiu a torcida. Ainda que não estivesse bem, Renato era a principal opção ofensiva da equipe.
Apesar da polêmica, Tarciso foi figura decisiva na vitória gremista.
Foi dele o segundo gol já no final do jogo.
Caio driblou dois marcadores e cruzou forte. Tarciso entrou feito um foguete e mandou a bola para o fundo das redes. Grêmio 2 a 1!
Festa e alívio da torcida gremista.
Uma vitória na abertura da semifinal era fundamental.
Agora o próximo adversário seria o América, em Cáli. 


Ficha técnica

GRÊMIO 2 x 1 ESTUDIANTES
21/06/1983
Copa Libertadores da América
Jogo 07
Estádio Olímpico

GRÊMIO:
Mazarópi; Paulo Roberto, Baidek, De León e Casemiro; China, Osvaldo e Tita; Renato (Tarciso), Caio e Tonho.
Técnico: Valdir Espinosa

ESTUDIANTES:
Bartero; Camino, Brown, Aguero e Gugnali; Russo, Ponce e Sabella; Trama, Trobbiani e Gurrieri
Técnico: Hugo Manera.

GOLS:
Osvaldo (GRE – 05 do 1ºT)
Gurrieri (EST - 11 do 1ºT)
Tarciso (GRE – 40 do 2ºT)

ARBITRAGEM:
Juan Silvagno (CHI)
Gaston Castro e Sergio Vasquez (CHI)

PÚBLICO E RENDA
24.544 pessoas
CR$ 17.106.500,00

BANCO DE RESERVAS
Beto, Newmar, Robson, Tarciso e Cesar.



*Domingo, 05 de junho de 1983

Fechando com chave de ouro

Foi com uma grande vitória sobre o Flamengo, no Maracanã, que o Grêmio terminou sua participação na primeira fase da Copa Libertadores de 1983.
Já classificado por antecipação para a fase semifinal, o Tricolor chegou ao Rio de Janeiro apenas para cumprir tabela. Um jogo domingo à tarde, algo incomum em matéria de Libertadores.
O adversário, completamente desmotivado, ainda não contava com as presenças de Zico, Júnior, Leandro e Mozer.
E a torcida, sempre fator importante de desequilíbrio no maior estádio do mundo, não compareceu. Pouco mais de 6 mil pagantes, boa parte formada por gremistas.
O interesse da imprensa era apenas voltado para o meia Tita, já que o Flamengo acertava a venda de Zico para o Udinese e o retorno de Tita à Gávea era dado como certo após o término do contrato com o Grêmio, dia 21 de dezembro.
O técnico Valdir Espinosa decidiu manter Paulo Roberto e Baidek no setor defensivo.
No gol, Beto seguiu como titular enquanto, fora de campo, o presidente Fábio Koff estruturava a inscrição do goleiro Mazaropi para a fase final da competição: concessão feita pela Conmebol apenas em caso de lesão.
Remi estava mesmo descartado.
Não demorou muito para o Grêmio abrir o marcador e fazer prevalecer sua superioridade: aos oito minutos, Tita recebeu na entrada da área e mandou por cobertura fazendo um golaço!
O Grêmio tratou a partida com seriedade e, antes dos 30 minutos, o placar do Maracanã já apontava a vitória gremista por 3 a 0: Caio marcou o segundo aos 15 e Osvaldo ampliou aos 26.
Uma verdadeira aula de futebol nos primeiros 45 minutos.
O Flamengo retornou para a etapa final com duas modificações e com o objetivo de evitar uma goleada histórica.
Já o Grêmio, por sua vez, diminuiu o ritmo e tratou de administrar a ampla vantagem.
Tarciso entrou no lugar de Renato e criou duas boas chances pela direita.
O Grêmio só não aumentou porque Cesar perdeu dois gols feitos.
O Flamengo ainda descontou com Elder e a partida terminou no 3 a 1.
Festa da torcida gremista no Maracanã e vaia dos poucos flamenguistas.
Agora todas as atenções estavam voltadas para a cidade de Lima, no Peru, onde a Confederação Sul-Americana iria sortear os dois grupos semifinais que dariam seqüência à competição.


Ficha técnica

FLAMENGO 1 x 3 GRÊMIO
05/06/1983
Copa Libertadores da América
Jogo 06
Estádio Maracanã

FLAMENGO:
Raul; Cocada, Figueiredo, Marinho e Ademar; Vitor (Andrade), Elder e Adilio; Robertinho, Baltazar (Felipe) e Júlio César.
Técnico: Carlos Alberto Torres

GRÊMIO:
Beto; Paulo Roberto, Baidek, De León e Casemiro; China, Osvaldo e Tita; Renato (Tarciso), Caio e Tonho (Robson).
Técnico: Valdir Espinosa

GOLS:
Tita (GRE – 08 do 1ºT)
Caio (GRE - 15 do 1ºT)
Osvaldo (GRE – 26 do 1ºT)
Elder (FLA - 25 do 2ºT)

ARBITRAGEM:
José Assis Aragão
Romualdo Arpi Filho e Emidio Marques Mesquita

PÚBLICO E RENDA
6.415 pagantes
CR$ 4.141.200,00

BANCO DE RESERVAS
Remi, Newmar, Robson, Tarciso e Cesar.



*Terça-feira, 31 de maio de 1983 

Classificação antecipada 

Mais de um mês se passou até o Grêmio enfrentar, em Porto Alegre, a segunda equipe boliviana: o Bolivar.
Neste meio tempo, muita coisa mudou pelos lados do Olímpico.
E mudou para pior.
A derrota de 3 a 1 para a inexpressiva Ferroviária de Araraquara e a conseqüente desclassificação no campeonato brasileiro em pleno estádio Olímpico, deixou fervilhando o panorama político do Clube e colocou em dúvida a qualidade da equipe perante o torcedor.
A oposição passou a bater forte na diretoria atual criticando o comando do presidente Fábio Koff e postulando mudanças drásticas na eleição para o Conselho Deliberativo que ocorreria em setembro.
Já não bastasse tudo isto, a equipe comandada por Espinosa acabou perdendo um amistoso para o Vasco da Gama, no Olímpico, faltando 12 dias para o jogo contra o Bolívar.
Foi neste ambiente de desconfiança e insatisfação que o Grêmio entrou em campo na fria noite de terça-feira para enfrentar o campeão boliviano, o qual já havia vencido na altitude de La Paz.
Pressionado, Espinosa sacou do time o goleiro Remi, considerados o principal culpado pela eliminação no Brasileirão, colocando Beto, reserva imediato.
Na zaga, Baidek recebia sua primeira chance.
Na lateral-esquerda, Paulo César Magalhães entrava no lugar de Casemiro.
Finalizando as modificações, Paulo Roberto entrava no lugar de Silmar na lateral-direita.
Todos os fatores negativos contrastavam com a situação da equipe na tabela da Libertadores. Uma vitória simples sobre o adversário classificava o time de forma antecipada para a semifinal da competição sem depender da última partida, contra o Flamengo, no Maracanã.
E foi com esse objetivo que o Tricolor começou a partida.
Logo aos três minutos, Tita concluiu de cabeça cruzamento de De León abrindo o marcador.
Seis minutos depois, Tita cobrou falta da entrada da área, o goleiro espalmou para o lado. Caio evitou o escanteio e cruzou de bicicleta. Tonho meteu a cabeça e ampliou o marcador fazendo seu primeiro gol na competição.
O time relaxou com a vantagem prematura e o Bolívar descontou aos 12 minutos. Silva entrou livre pela área e encobriu o goleiro Beto no exato momento em que De León era atendido fora de campo. 2 a 1.
Ainda assim, o Bolívar não chegou a ser uma ameaça.
O Grêmio foi amplamente superior e chegou ao terceiro gol aos 23 minutos da etapa final: Renato cruzou da direita no segundo pau. Osvaldo tentou encobrir o goleiro, mas foi Tita que pegou o rebote para marcar.
Grêmio 3 a 1 e classificado para a semifinal da Libertadores pela primeira vez na história. 

Ficha técnica

GRÊMIO 3 x 1 BOLIVAR
31/05/1983
Copa Libertadores da América
Jogo 04
Estádio Olímpico

GRÊMIO:
Beto; Paulo Roberto, Baidek, De León e Paulo Cesar (Newmar); China, Osvaldo (Róbson) e Tita; Renato, Caio e Tonho.
Técnico: Valdir Espinosa

BOLIVAR:
Elso; Gallo, Urizar, Merlo e Arias; Navarro, Céspedes e Romero; Borja, Silva e Figueroa (Baldessari).

GOLS: 
Tita (GRE – 03 do 1ºT) 
Tonho (GRE - 09 do 1ºT)
Silva (BOL - 12 do 1ºT)
Tita (GRE – 23 do 2ºT)

ARBITRAGEM: 
Cláudio Brusca (ARG)
Artur Iturralde e Jorge Romero (ARG) 

PÚBLICO E RENDA
18.929 pagantes
CR$ 12.538.300,00 

BANCO DE RESERVAS
Remi, Newmar, Robson, Tarciso e Cesar.



*Terça-feira, 26 de abril de 1983

Vitória tranqüila e liderança isolada

Depois de vencer os dois adversários bolivianos fora de casa, era unânime a expectativa de mais dois resultados positivos nos jogos em Porto Alegre. E sem maiores dificuldades.
Confirmando tais previsões, o Tricolor garantiria a classificação de forma antecipada para a fase semifinal sem ficar na dependência da última partida contra o Flamengo, no Maracanã. O Flamengo que, aliás, não obteve bons resultados nos dois jogos em território boliviano: um empate sem gols contra o Blooming e uma derrota de 3 a 1 contra o Bolívar na altitude de La Paz.

O primeiro adversário foi o Blooming, da cidade de Santa Cruz de La Sierra, vice-campeão do país, terça-feira à noite.
Já sem maiores perspectivas dentro da competição, a equipe boliviana tratou de aproveitar a vinda a Porto Alegre para fazer turismo. Quatro dias antes de enfrentar o Tricolor, a equipe já havia mostrado sua fragilidade ao ser derrotada pelo Flamengo, no Maracanã, pelo placar de 7 a 1.
Pensando na partida decisiva do sábado contra a Ferroviária, pela Taça Brasil, o técnico Valdir Espinosa tratou as duas partidas contra os bolivianos como um treino de luxo.
De modificação na equipe, Newmar entrou na zaga no lugar de Leandro.
Infinitamente superior ao adversário, o Grêmio demorou 22 minutos para abrir o marcador: Silmar recebeu de Renato na direita, fundo de campo. O cruzamento encontrou Tita, no segundo pau, que cabeceou no travessão. No rebote, Caio mandou para as redes.
O segundo gol nasceu aos 37 minutos: Osvaldo tabelou com Renato, invadiu a área pela esquerda e deu um leve toque, na saída do goleiro Terrazas.
Grêmio 2 a 0.
Para insatisfação da torcida, a goleada esperada acabou não acontecendo e o placar de 2 a 0 obtido no primeiro tempo acabou sendo o placar definitivo da partida.
Para os jogadores, o que mais importou foram os dois pontos e a manutenção da liderança isolada do Grupo 2. 

Ficha técnica:

GRÊMIO 2 x 0 BLOOMING
26/04/1983
Copa Libertadores da América
Jogo 04
Estádio Olímpico

GRÊMIO:
Remi; Silmar, Newmar, De León e Casemiro; China, Osvaldo (Bonamigo) e Tita; Renato, Caio e Tonho (Tarciso).
Técnico: Valdir Espinosa

BLOOMING:
Terrazas; Herrera, Gallardo, Villalon e Vaca; Melgar, Castillos e Noro (Taborga); Reveliz, Sanchez e Rojas.

GOLS:
Caio (GRE – 22 do 1ºT)
Osvaldo (GRE – 37 do 1ºT)

ARBITRAGEM:
Elias Guerrero Jacome
Guillermo Romero e Jorge Orellana

PÚBLICO E RENDA
17.072 pagantes
CR$ 10.980.400,00

BANCO DE RESERVAS
Beto, Paulo Roberto, Jorge Leandro, Bonamigo e Tarciso. 




*Sexta-feira, 25 de março de 1983

Vitória heróica com gol espetacular

O vôo de Santa Cruz de La Sierra para La Paz foi rápido e a delegação gremista desembarcou por volta das 10h.
Ainda no aeroporto, os sintomas da altitude já se fizeram presentes: o vice-presidente de Futebol, Alberto Galia, sentiu fortes tonturas e teve que ser atendido no local.
A delegação seguiu imediatamente para o hotel.
Seguindo determinação do médico Alarico Endres, os jogadores permaneceram descansando nos quartos para evitar desgastes desnecessários.
Dentro do processo de preparação para este confronto, o Grêmio não deixou de fora nenhum detalhe. Até mesmo a alimentação ingerida pelos atletas passou por uma minuciosa análise feita por uma equipe de nutricionistas. Foi privilegiada uma alimentação baseada em carboidratos e suplementos de fácil absorção com destaque para os doces.
Após o almoço, os jogadores seguiram descansando até o horário da palestra do técnico Valdir Espinosa.
Uma palestra, aliás, que merece uma atenção especial: estando todos os jogadores, dirigentes e comissão técnica reunidos em uma ala do hotel, Valdir Espinosa pediu a palavra. Caminhou pela sala e, olhando para os jogadores soltou: “chocolate neles”.
Foi a palestra mais rápida da história do Grêmio.
Na verdade, era a senha para que os jogadores colocassem em prática tudo aquilo que já havia sido trabalhando tanto dentro de campo quanto mentalmente.
- Naquele momento, precisava diminuir ao máximo a adrenalina dos jogadores, pois o efeito, na altitude, é prejudicial. Já havíamos conversado bastante sobre o que fazer, não precisava dizer mais nada naquela hora. Explicou Espinosa.
Quem não gostou nada da palestra do treinador gremista foi o presidente Fábio Koff.
- Ele ficou indignado. Queria a demissão do Espinosa. Sorte que conseguimos a vitória. Lembrou Antônio Carlos Verardi, Supervisor do Clube.
Mas não foi uma vitória fácil.

Empurrado pela torcida e num ritmo frenético, o Bolívar partiu pra cima do Grêmio.
Acuado, o Tricolor tratou de se segurar como podia. Remi foi se transformando no grande nome do jogo com pelo menos duas defesas à queima roupa com os atacantes bolivianos.
O Grêmio respondeu em duas oportunidades com Tita. Numa delas, em bola parada, o meia gremista levou perigo.
Depois de tanto pressionar, o Bolívar abriu o marcador aos 35 minutos. Gallo chutou forte, rasteiro, da entrada da área. Remi calculou mal a defesa e deixou a bola escapar de seus braços. No rebote, o zagueiro Navarro empurrou para o gol aberto.
Atrás no marcador e tendo que enfrentar a altitude de quase 4 mil metros de La Paz, o Grêmio chegou a perder a cabeça em algumas oportunidades. China cometeu uma falta feia e levou apenas cartão amarelo.
O apito do árbitro determinando o intervalo veio na hora certa.
No vestiário, mais uma vez Espinosa foi sucinto na conversa com os jogadores:
- Eu pedi para que eles fizessem como se estivessem em uma roda de “bobinho”, colocando o adversário na roda e partindo pra cima quando tivessem a oportunidade. Lembrou o treinador gremista.
O Bolívar voltou para o segundo tempo disposto a matar o jogo. Aos oito minutos, depois de um escanteio, Vargas acertou o poste direito de Remi.
Escapou o Grêmio.
Coincidência ou não, o Grêmio chegou ao empate um minuto depois da entrada de Tarciso. Ele ingressou na partida aos 20 minutos, no lugar de César, e o Grêmio marcou aos 21: Casemiro recebeu na esquerda e cruzou com perfeição. Osvaldo entrou de cabeça e venceu o goleiro. 1 a 1!
O gol chegou na hora certa. O time cresceu em campo e o Bolívar se encolheu sentindo a força do Tricolor.
O toque de bola pedido por Espinosa surtiu efeito e o Grêmio passou a dominar a partida.
A altitude, até então o maior fantasma, parecia não existir mais e o Tricolor passou a sobrar em campo na parte física.
Espinosa colocou Bonamigo no lugar de Tonho fazendo com que Tita pudesse se movimentar mais comandando o jogo no meio campo.
Sentindo que poderiam obter um resultado melhor que o empate, os jogadores partiram pra cima.
No minuto 37, surgiu o gol da vitória gremista. Um gol espetacular.
Depois de envolver o adversário no toque de bola, Tita virou o jogo para China, poucos metros à frente da linha do meio campo. China dominou e mandou a bomba. Um chute inacreditável. A bola viajou por aproximadamente 50 metros até encobrir o goleiro Elso. Grêmio 2 a 1!
Três minutos depois, Tarciso ainda perdeu a chance de ampliar.
No final, grande vitória gremista reconhecida como uma das mais difíceis da competição.
Um dia histórica para o Grêmio e para China que, segundo ele, marcou o gol mais bonito de sua vida.


Ficha técnica:

BOLÍVAR 1 x 2 GRÊMIO
25/03/1983
Copa Libertadores da América
Jogo 03
Estádio Hernando Siles - Bolívia

GRÊMIO:
Remi, Silmar, Leandro, De León e Casemiro, China, Osvaldo e Tita; Renato, César (Tarciso) e Tonho (Bonamigo)
Técnico: Valdir Espinosa

BOLIVAR:
Elso; Vargas, Navarro, Urizar e Arias (Figueroa); Ângulo, Gallo e Romero; Borja, Salinas e Silva (Baldessari)

GOLS:
Navarro (BOL – 35 do 1ºT)
Osvaldo (GRE – 21 do 2ºT)
China (GRE – 37 do 2ºT)

ARBITRAGEM:
Ernesto Filippi
Ramón Barreto e Jose Luis Bazan

BANCO DE RESERVAS
Beto, Baidek, Bonamigo, Tarciso e Lambari.




*Quinta-feira, 24 de março de 1983

O fantasma da altitude

Nenhum aspecto extra campo ficou de fora dos preparativos do Grêmio para a partida contra o Bolívar, na altitude de La Paz. A diretoria, auxiliada pelo departamento médico e a equipe de preparação física, pensou em todos os detalhes, desde uma alimentação especial organizada por nutricionistas até a viagem para La Paz no mesmo dia do jogo.
O técnico Valdir Espinosa, preocupado com o efeito psicológico que o fantasma da altitude poderia provocar sobre o grupo de atletas, procurou amenizar e tranqüilizar cada um dos jogadores. Uma conversa franca deixou o grupo ciente de que enfrentar a altitude de La Paz não seria um bicho de sete cabeças.
Evitando o desgaste, a equipe realizou um trabalho leve na manhã de quinta-feira no gramado do estádio Tauichi Aguilera, onde o Tricolor vencera o Blooming na terça-feira passada, comandado pelo preparador Ithon Fritzen.
A viagem para La Paz ficou marcada para a manhã de sexta-feira, dia do confronto contra o Bolívar.



*Quarta-feira, 23 de março de 1983

Equipe embalada para jogar em La Paz.

A vitória sobre o Blooming por 2 a 0 cobriu de entusiasmo e confiança o plantel gremista. O resultado deixou o Tricolor na liderança do Grupo 2 com três pontos ganhos e um novo resultado positivo no jogo seguinte, contra o Bolívar, encaminharia a classificação para a fase semifinal da melhor maneira possível já que a equipe gremista iria enfrentar os bolivianos no Olímpico, nos jogos de volta.
Dentro de um projeto visando minimizar os efeitos da altitude, em La Paz, a delegação seguiu hospedada em Santa Cruz de La Sierra com partida marcada para La Paz apenas no dia do jogo.
No dia seguinte à vitória sobre o Blooming, os jogadores que atuaram os 90 minutos receberam folga. O resto do grupo realizou um treinamento leve sob o comando do preparador Ithon Fritzen.
Em todos os momentos com o grupo, Valdir Espinosa tratou de preparar a cabeça do jogador para que o assunto “altitude” não viesse a influenciar o psicológico de cada um.
A tática não poderia ter sido melhor.



*Terça-feira, 22 de março de 1983

Vitória importante em Santa Cruz de La Sierra.

Apesar do forte calor e do clima abafado, Grêmio entrou em campo no estádio Ramón “Tahuichi” Aguilera encontrando um ambiente surpreendentemente favorável para enfrentar o Blooming. Depois da derrota para o Bolívar na estréia, o torcedor compareceu desanimado para o enfrentamento contra o Tricolor. Aquele clima de pressão característico dos jogos pela Libertadores realizados na Argentina, Uruguai e Chile praticamente não existiu.
Para o Grêmio, bastava colocar a bola no chão e enfrentar o Blooming sem se preocupar com os fatores externos.
Já nos primeiros minutos de jogo, ficou evidente a superioridade gremista.
Lambari apresentava dificuldades para vencer o lateral e o time passou a forçar as jogadas pela direita.
Renato tratou de infernizar a defesa boliviana, porém exagerando um pouco na individualidade.
No meio, César e Osvaldo se movimentavam bastante aparecendo com força no ataque.
O time criou bastante nos primeiros 45 minutos e teve a oportunidade de abrir o marcador em pelo menos quatro lances. No melhor deles, Tita cobrou uma falta no poste direito do goleiro Terrazas. No rebote, Lambari perdeu.
Certamente, no intervalo, o técnico Valdir Espinosa pediu um pouco mais de empenho aos jogadores e mais tranqüilidade na hora de concluir.
A segunda etapa começou com um susto: logo no primeiro minuto, o ponta Reveliz chutou, a bola desviou em Silmar, tirou Remi da jogada e bateu no travessão.
Não demorou muito para o time responder: Renato recebeu de Tita na frente do goleiro, driblou e chutou para o gol aberto. O zagueiro Gallardo salvou sobre a linha mandando para escanteio.
Na cobrança do escanteio da esquerda de Lambari, Tita marcou de cabeça se antecipando à zaga, no primeiro pau.
Grêmio 1 a 0.
Dois minutos depois, a qualidade técnica de Renato surtiu efeito sobre o marcador. Bola levantada da esqueda no segundo pau. César ajeitou de cabeça. Renato dominou, deu um drible desconcertante no zagueiro e chutou na saída do goleiro.
Com 2 a 0 no marcador e sobrando em campo, a equipe diminuiu o ritmo tratando de tocar a bola. Provavelmente já pensando no desgaste que iriam enfrentar na altitude de La Paz na sexta-feira, dia 25.
Ainda que não tenha melhorado o saldo de gol, o Grêmio comemorou o primeiro lugar no Grupo.

Ficha técnica:

BLOOMING 0 x 2 GRÊMIO
22/03/1983
Copa Libertadores da América
Jogo 02
Estádio Ramón Tahuichi Aguilera – Santa Cruz de La Sierra - Bolívia

GRÊMIO:
Remi; Silmar, Leandro, De León e Casemiro; China, Osvaldo e Tita; Renato, César e Lambari.
Técnico: Valdir Espinosa

BLOOMING:
Terrazas; Herrera, Gallardo (Noro) Villalon e Vaca. Melgar, Castillos (Paniagua) e Taborga; Reveliz, Sanchez e Rojas.

GOLS:
Tita (GRE – 07 do 2ºT)
Renato (GRE – 09 do 2ºT)

ARBITRAGEM:
Ramón Barreto
Jose Martinez e Ernesto Filippi

BANCO DE RESERVAS
Beto, Baidek, Bonamigo, Robson e Tarciso.




*Segunda-feira, 21 de março de 1983.

Operação Bolívia.


Sem muitas informações sobre os dois adversários bolivianos do Grupo 2 da Libertadores, o Grêmio desembarcou em Santa Cruz de la Sierra com a obrigação de conquistar resultados positivos em território inimigo.
A principal preocupação ficava por conta do Bolívar, campeão do país e adversário da sexta-feira. Na semana anterior, o time de La Paz havia feito sua estréia jogando em casa e aplicando uma goleada de 6 a 0 sobre o Blooming.
O resultado deixou a equipe na liderança do Grupo por pontos e ainda com um excelente saldo de gols.
Porém, antes do combate contra o Bolivar, o objetivo era não perder o foco do Blooming. Apesar da fragilidade, era um adversário desconhecido e jogaria com o apoio de sua torcida e com a obrigação de vencer após a derrota na estréia.
O ponta-esquerda Tonho, lesionado, era a principal dúvida de Valdir Espinosa no ataque. Lambari era a opção.
Renato, completamente recuperado de uma lesão muscular, havia ganho a posição de Tarciso na direita após os últimos jogos pela Taça Brasil.
No meio, Osvaldo voltava ao time após ficar de fora na estréia.
O lateral-direito Paulo Roberto nem viajou para a Bolívia. Ficou em Porto Alegre negociando sua transferência para o São Paulo. Silmar ocuparia sua vaga.



*Sábado, cinco de março de 1983.

O fantasma da altitude.

Terminado o jogo contra o Flamengo, imediatamente o Grêmio tratou de projetar os dois jogos seguintes na Bolívia.
O empate na estréia da Libertadores não estava dentro das previsões e resultados positivos em território boliviano passaram a ser obrigatórios para o Tricolor manter a chance de classificação no grupo. Além das vitórias, ainda teria que torcer por resultados negativos do Flamengo.
O primeiro jogo da gira pelo exterior seria contra o Blooming, na cidade de Santa Cruz de la Sierra, mas as atenções estavam voltadas para a partida seguinte. O adversário seria o Bolívar, campeão do país, na cidade de La Paz, 3.640 metros acima do nível do mar. Evidentemente, as preocupações ficavam por conta dos efeitos da altitude: um verdadeiro fantasma para os clubes que atuam na cidade e um grande aliado dos times locais.
O primeiro jogo estava marcado somente para o dia 22 e o Grêmio teria mais de duas semanas para se preparar.
Porém, antes disso, mais quatro jogos válidos pela Taça de Ouro: vitórias contra o Sergipe, em dois jogos. Empate com o Botafogo no Maracanã e derrota para o América, também no Maracanã. Todos os jogos com os titulares. 

No dia 21, confira os preparativos e a viagem para Bolívia.



*Sexta-feira, quatro de março de 1983.

A estréia em um jogo emocionante:


Mais de 43 mil pagantes lotaram o estádio Olímpico para a estréia do Tricolor na Copa Libertadores de 1983.
Além de ser a abertura do Grupo 2, e contra um adversário que estava entalado na garganta, a partida estava recheada de atrativos para o torcedor. Pela primeira vez, Tita atuava contra o time que o revelou para o futebol. Do outro lado, o artilheiro Baltazar, autor do gol do título Brasileiro de 1981, também atuava contra seu ex-clube.
A TV Gaúcha transmitiu ao vivo para todo o País na narração de Galvão Bueno.
A vitória não veio, mas quem esteve presente viu um dos melhores jogos dos últimos tempos.
Empurrado pela torcida, o Grêmio partiu pra cima do Flamengo em busca da vitória.
Valdir Espinosa surpreendeu com uma modificação tática. Colocou Bonamigo no lugar de Osvaldo para aumentar o poder de marcação principalmente sobre Zico e Adílio.
O Flamengo acabou ficando sem Júnior, lesionado. Ademar entrou na lateral-esquerda.
Tudo transcorria dentro da normalidade e o Grêmio dominava os primeiros 15 minutos. Aos 16, o zagueiro Hugo de León tentou sair jogando pela direita, ao lado da área. Zico deu o combate e conseguiu roubar a bola do capitão gremista fazendo o cruzamento. O artilheiro Baltazar, ex-Grêmio, dominou com o pé direito, deu um chapéu no marcador que era Leandro e, também de pé direito, com um leve toque, mandou a bola no ângulo esquerdo da meta do goleiro Remi que nem se mexeu.
Foi um golaço.
Inconformado com a falha no lance, De León abandonou qualquer obediência tática e se atirou ao ataque para se redimir.
Aos 24, Tita tabelou com Bonamigo e chutou no poste.
O Tricolor ainda teve três boas oportunidades, mas o goleiro Raul estava em noite inspirada.
Faltando três minutos para o final da primeira etapa, Remi saiu errado da meta e Adílio concluiu de cabeça. O zagueiro Leandro salvou sobre a linha evitando o segundo gol carioca.
O segundo tempo começou com o Flamengo melhor. Com a vantagem no marcador, Zico comandou o toque de bola no meio campo.
Aos sete minutos, Espinosa colocou o ponteiro Lambari no lugar de Tonho querendo aproveitar a velocidade do atacante. Porém, o time só melhorou mesmo quando, aos 17 minutos, Renato entrou no lugar de Tarciso. Recém promovido das categorias de base, o jovem ponteiro vindo de Bento Gonçalves queria mostrar serviço.
Em sua primeira jogada, acertou o poste do goleiro Raul.
A pressão ficou insustentável.
Aos 24, Bonamigo foi derrubado na área, mas Arnaldo César Coelho nada marcou para desespero do vice-presidente de Futebol, Alberto Galia.
O Flamengo recuou.
Edson entrou no lugar de Robertinho para ajudar na marcação e Lico ficou isolado. Baltazar passou a ser o único atacante mais avançado.
Aos 35 minutos, o esforço comovente de Hugo de León para se recuperar do erro da primeira etapa foi premiado. Após escanteio da esquerda, a zaga do Flamengo afastou de cabeça para a entrada da área, o capitão gremista pegou de primeira, de pé esquerdo, no ângulo esquerdo de Raul. A bola ainda bateu no poste antes de entrar.
Festa da torcida gremista!
Festa de Hugo de León!
O resultado final não foi aquele esperado, mas acabou fazendo justiça à boa atuação e à qualidade das duas equipes.
O presidente Fábio Koff ficou indignado com a atuação do árbitro e chamou Arnaldo César Coelho de “ladrão”. O Vice de Futebol, Alberto Galia, também mostrou seu descontentamento.
A única alternativa era buscar duas vitórias na Bolívia, contra Blooming e Bolívar, algo inédito até então na história da Libertadores.

Ficha técnica:

GRÊMIO 1 x 1 FLAMENGO
04/03/1983
Copa Libertadores da América
Jogo 01
Estádio Olímpico

GRÊMIO:
Remi; Paulo Roberto, Leandro, De León e Casemiro; China, Bonamigo e Tita; Tarciso (Renato), César e Tonho (Lambari).
Técnico: Valdir Espinosa

FLAMENGO:
Raul; Leandro, Figueiredo, Marinho e Ademar; Andrade, Adílio e Zico; Robertinho (Edson), Baltazar e Lico.
Técnico: Paulo César Carpeggiani

GOLS:
Baltazar (FLA – 16 do 1ºT)
De León (GRE – 35 do 2ºT)

ARBITRAGEM:
Arnaldo César Coelho
Romualdo Arpi Filho e José de Assis Aragão

PÚBLICO E RENDA
43.125 pagantes
CR$ 33.610.000,00

BANCO DE RESERVAS
Beto, Newmar, Osvaldo, Renato e Lambari.



Quinta-feira, três de março de 1983:

Os preparativos:

Uma boa estréia na competição era de vital importância para as pretensões gremistas de encaminhar a classificação no Grupo 2, que contava ainda com as participações dos bolivianos do Blooming e do Bolívar. Ao contrário do que ocorre hoje em dia, apenas o campeão do grupo é que garantia classificação.
O jogo aumentava de importância já que os dois próximos seriam realizados fora de casa, na Bolívia.
Desde cedo, as duas diretorias trabalhavam forte nos bastidores.
O presidente do Flamengo, Antônio Augusto Abranches, passou a criticar publicamente a escalação do árbitro Arnaldo César Coelho para comandar a partida no Olímpico. Do outro lado, Fábio Koff definiu a manobra do dirigente carioca como “uma clara tentativa de pressionar a arbitragem”. Nenhuma novidade, já que o mesmo cartola havia utilizado o mesmo artifício quando da decisão do Campeonato Brasileiro do ano anterior.
Dentro de campo, mistério de ambas as partes: pelo Grêmio, o técnico Espinosa treinou uma equipe, mas surpreendeu na hora do jogo. A derrota no final de semana para o Atlético Paranaense em pleno estádio Olímpico, e com a equipe titular, deixou uma pulga atrás da orelha do comandante gremista fazendo com que o time fosse modificado em cima da hora. Pelo Flamengo, o treinador Paulo César Carpeggiani aguardava um parecer do Departamento Médico sobre a situação do lateral-esquerdo Júnior, que sentia dores.
Apesar do resultado negativo de domingo pela Taça de Ouro contra os paranaenses e a marcação do jogo para uma sexta-feira à noite, a mobilização da torcida era grande. Principalmente pela possibilidade de uma revanche contra os rubro-negros.
Era certeza de casa cheia. 





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