As origens do mundial
Capítulo 1

Henri Delaunay
Primeiro secretário geral da UEFA e secretário do Comitê de Regras de Jogo da FIFA, o francês Henri Delaunay talvez não pudesse dimensionar, no final da década de 50, a importância e a grandiosidade que teriam suas criações. Delaunay foi o idealizador da Eurocopa e do Mundial Interclubes.

Esta última competição tinha como objetivo determinar qual era o melhor clube do mundo, pelo menos no que se refere aos continentes europeu e sul-americano, em um confronto direto entre eles. A Europa já tinha a Copa dos Campeões, mas a América ainda não possuía sua competição interclubes que nasceu em 1960, sob o comando da Confederação Sul-Americana de Futebol, antecessora da CONMEBOL. Em homenagem aos heróis da independência do continente, nasceu a Copa Libertadores da América, que acabou viabilizando a realização do Mundial.

Falecido dois anos antes, Henri Delaunay não conseguiu acompanhar a concretização do seu sonho na disputa da primeira edição do Mundial Interclubes, em 1960: Real Madrid da Espanha contra o Peñarol do Uruguai.

A partir dos anos 50 - e especialmente desde os 70 - muitos talentos do futebol sul-americano cruzaram o Atlântico para ir jogar em times europeus, mais poderosos e ricos. Talvez por isso os clubes sul-americanos passaram a dar mais importância à Copa Intercontinental do que seus adversários. Era uma oportunidade única para mostrar aos poderosos do Primeiro Mundo que os irmãos pobres da América do Sul poderiam ser superiores, pelo menos no futebol.

Os capitães de Peñarol e Real Madrid se cumprimentam antes do início da partida, em 1960
Real Madrid, da Espanha, e Peñarol, do Uruguai, disputaram a primeira final em 1960. As decisões se transformavam em verdadeiras guerras, principalmente quando a segunda partida era disputada em solo americano. As equipes européias freqüentemente sofriam com a hostilidade das torcidas e com a agressividade dos jogadores dentro de campo.

Uma final especialmente traumática ocorreu em 1969, entre Estudiantes de La Plata (Argentina) e Milan (Itália), a qual resultou em várias expulsões de jogadores argentinos. Com a desculpa de preservar a integridade dos atletas, somado à falta de incentivo financeiro, diversos campeões europeus desistiram de participar da decisão do Mundial; em todos os casos, eles acabaram substituídos pelos vice-campeões.

As edições de 1975 e 1978 não foram disputadas e a competição começou a correr o risco de ser extinta até que a empresa japonesa Toyota decidiu patrocinar o evento, levando a decisão para o Japão e passando a disputa para um jogo único. A iniciativa agradou aos clubes europeus, que nunca mais desistiram de participar.

De 1960 a 1979, a Copa Intercontinental foi jogada em ida e volta. Entre 1960 e 1968, foi decidida em pontos. Por causa deste formato, era necessário um terceiro encontro quando as equipes terminavam empatadas. De 1969 a 1979, a competição adotou o método do gol qualificado com vantagem para quem marcasse fora de casa. Começando em 1980, a final transformou-se um jogo único.

Até 2000, os jogos foram disputados no Estádio Nacional de Tóquio. A partir de 2001, mudou para o Estádio Internacional de Yokohama, palco da final da Copa do Mundo de 2002.