Banha, massagista do Mundial
Capítulo 7
Alvaci Silva de Almeida, 62 anos, conhecido no meio futebolístico como “Banha”, é presença constante nos pôsteres das principais conquistas da história do Grêmio. No Clube desde 1964, quando tinha 21 anos, Banha era o responsável pelo relaxamento muscular dos atletas. Por motivos de saúde abandonou a função no final da década de 90.

Conversando com os amigos nas dependências do Olímpico, Banha atendeu o Grêmio.Net para falar um pouco sobre a histórica conquista de 1983.

Grêmio.Net: Qual o momento mais marcante daquele conquista no Japão?

Banha: Foi quando o juiz apitou o final de jogo e a festa começou no estádio. Depois continuou no ônibus, no hotel. Tudo com muito champanhe.

Grêmio.Net: Você conheceu quase o mundo todo com o Grêmio mas uma viagem tão longa e cansativa como esta foi a primeira vez. Como foi o vôo até Tóquio?

Banha: Foi tranqüilo. Conversamos bastante, jogamos carta, tomamos chimarrão. Na época eu pesava 143 Kg e o pessoal caiu na minha cabeça porque eu não conseguia fechar o cinto de segurança. A aeromoça teve que trazer outro pedaço de cinto para poder fechar. Era complicado ir ao banheiro também. Muito apertado (risos).

Grêmio.Net: Você já foi quatro vezes com o Grêmio ao Japão mas em 1983 era a primeira vez. Como foi esse primeiro contato com tão diferente cultura?

Banha: Parecia que eu estava em outro mundo. Era completamente diferente do que eu estava acostumado. Uma tecnologia muito desenvolvida. Para atravessar a rua, havia um aparelho sonoro para ajudar os cegos a atravessarem. Impressionante.

Grêmio.Net: Houve alguma dificuldade de comunicação no dia-a-dia com os japoneses?

Banha: Não. Nenhum. O Grêmio pensou em tudo e, no hotel, haviam quatro ou cinco intérpretes à disposição da delegação. Se a gente queria sair pra fazer compras, sempre éramos acompanhados por um deles. Fiquei responsável por fazer feijão para os jogadores e até mesmo na cozinha havia um intérprete pra me ajudar.

Grêmio.Net: Como foi a expectativa antes da partida?

Banha: Uma ansiedade muito grande. Trabalhei direto com o Osvaldo. Ele viajou sentindo dores e fizemos um tratamento intensivo. De manhã, de tarde e de noite. Só na véspera da partida que ele acordou sem dor e acabou sendo uma das grandes figuras da conquista.

Grêmio.Net: No momento em que o Hamburgo empatou o jogo, você estava atendendo o Renato, com câimbras, na beira do gramado. Como foi aquele momento?

Banha: Quando o Hamburgo fez o gol, nós gelamos. O Renato se levantou rapidamente e voltou para o campo dizendo “vamos ganhar, vamos ganhar”. Graças a Deus ele conseguiu fazer o segundo gol na prorrogação. A equipe já estava cansada física e mentalmente e o gol veio na hora certa.

Grêmio.Net: Você ainda mantém contato com o pessoal daquela época?

Banha: Claro. Tenho contato com o Hélio (roupeiro), meu companheiro de Grêmio por 40 anos. O Tarciso, o Paulo Roberto. Até mesmo com o De Leon, na época em que ele estava treinando o Clube. Todos que andam pela área a gente encontra e pára para bater um papo.