Belmonte, repórter em Tóquio
Capítulo 6
A Caldas Júnior, empresa responsável pela rádio e TV Guaíba e pelo jornal Correio do Povo, decidiu se antecipar aos fatos e enviou um repórter ao Japão 4 meses antes da grande final. Em agosto, o jornalista João Carlos Belmonte, atualmente na Bandeirantes de Porto Alegre, desembarcava em Tóquio com a missão de levar aos gaúchos um pouco da cultura japonesa e da expectativa do povo local pela partida.

Belmonte conversou com Grêmio.Net e contou como foi esta verdadeira aventura.

Belmonte: Realmente foi uma aventura, chegar em um país desconhecido. Não tínhamos a mínima idéia do que iríamos encontrar, era uma novidade para todo mundo, tanto para nós quando para o torcedor do Grêmio que queria saber de tudo.

Passei quase um mês como correspondente da Caldas Júnior com a missão de enviar ao Brasil reportagens diárias, que eram publicadas no Correio do Povo. Além disso, fizemos um acordo com uma TV japonesa e colhemos mais de 3 horas de imagens que posteriormente viraram um programa de uma hora e meia, apresentado na TV Guaíba, falando sobre a cidade, os costumes, o Estádio Nacional, o hotel do Grêmio, etc. O sucesso foi tão grande que a Guaíba teve que reapresentar a pedido dos torcedores gremistas.

Grêmio.Net: E como foi este intercâmbio com os japoneses?

Belmonte: Os japoneses também tinham muita curiosidade sobre nós. Quem eram aqueles habitantes do Cone Sul que viriam jogar em Tóquio? Levei vários presentes pra eles, como camisa do Grêmio, bandeiras, discos... Os japoneses adoram presentes.

Entramos em um acordo para que eles nos ajudassem com a gravação de matérias sobre Tóquio e, em troca, eles viriam a Porto Alegre e nós ajudaríamos com matérias sobre nossa cidade.

Fiz uma recepção em minha casa, com um churrasco assado pelo Érico Sauer. Eram jornalistas de uma TV contratados pela Toyota, patrocinadora do jogo. Ficaram espantados com o tamanho do meu pátio e com a quantidade de carne que comemos (risos). A Caldas Júnior conseguiu hospedagem de graça no Hotel Everest. Lá em Tóquio, em troca, ficamos de graça no mesmo hotel da delegação gremista.

Grêmio.Net: Como foi a preparação da emissora para a transmissão do jogo?

Belmonte: Cheguei uma semana antes para preparar os detalhes da transmissão. Alugamos, em segredo, um satélite 24 horas para a transmissão da partida pela Rádio Gaúcha. Em troca da assistência técnica, liberamos o nosso áudio, com a narração do Armindo Ranzolin, para que fosse reproduzido pela TV japonesa.

Grêmio.Net: Então o Japão acompanhou o jogo com a narração em português?

Belmonte: Exatamente. Provavelmente algum japonês deveria falar alguma coisa em cima da voz do Ranzolin, mas a transmissão foi em português. Curioso é que a TV japonesa não estava acostumada a transmitir futebol e colocou no ar só os 90 minutos. Deixaram a prorrogação de lado. Isso sem falar que colocavam propagandas no meio do jogo (risos). Tenho um conhecido que, lá no Japão, comprou um DVD deste jogo com a narração da Guaíba.

Grêmio.Net: Qual a importância de uma experiência como esta para um jornalista?

Belmonte: É uma experiência fantástica. Entra para o currículo. Tanto é que sempre que apresento meu currículo, além de destacar as sete copas do mundo de que participei, destaco também essa conquista do Grêmio. Foi uma coisa inesquecível.