Fábio Koff, o presidente do Mundial
Capítulo 10

Neste trabalho de pesquisa, com relatos emocionantes e exclusivos de quem vivenciou aquela decisão de Tóquio, não poderia faltar a participação de uma das pessoas mais importantes e decisivas. Fábio André Koff iniciou 1983 projetando o final do ano com a conquista do Mundial. Pouca gente acreditava, mas Koff fez prevalecer suas convicções e concretizou seu sonho maior de voltar ao Brasil carregando a taça de campeão mundial.

Pelo telefone, Koff atendeu a reportagem de Grêmio.Net para compartilhar com todos os gremistas um pouco desta experiência inesquecível.

Grêmio.Net: Quando o senhor acreditou que o Grêmio seria campeão do mundo?

Koff: No primeiro ano como presidente, em 1982, o Grêmio vinha de um vice-campeonato brasileiro e de uma Libertadores com resultados ruins. No fim do ano aceitei a reeleição porque eu tinha uma premonição, ou um palpite, de que seríamos campeões do mundo. E não disse isso brincando. Eu estava apostando tudo nisso. (pausa) Também não é difícil ter premonição desse tipo com um jogador como o Renato no time (risos). Aceitei a reeleição e tivemos tempo e tranqüilidade para montarmos uma equipe com características de um time valente para a disputa de uma Libertadores e de um Mundial. Tudo com critério e convicção.

Grêmio.Net: A contratação do Espinosa no início de 1983 também fez parte desta convicção?

Koff: Fez. No final de 1982 o Ênio Andrade decidiu por sair do Grêmio dizendo que seu ciclo já havia terminado. Foi então que, juntamente com o Alberto Galia, decidimos apostar no Espinosa para comandar um projeto que terminaria, dentro da nossa expectativa, em dezembro, em Tóquio. Jamais deixamos de acreditar nisso.

O curioso é que, dez anos depois, assumi o Grêmio outra vez com essa mesma convicção, esse mesmo palpite, e acabamos voltando a Tóquio em 1995.

Grêmio.Net: Como foi a preparação do grupo para aquele jogo de Tóquio?

Koff: Depois da conquista da Libertadores, ficamos focados apenas nesse jogo. Mandei o Espinosa e o Ithon para a Alemanha onde eles acompanharam jogos do Hamburgo. Na época, tínhamos muito pouco material então achamos importante acompanhar de perto. O Espinosa é muito inteligente e pensou muito bem o jogo.

Grêmio.Net: O que vocês conheciam do Hamburgo?

Koff: Tudo que eu conhecia era pela literatura e algumas informações que conseguíamos através de amigos. Depois o Espinosa foi lá ver. Ele sempre esteve bem informado além de ser um estudioso.

Koff exibe a taça do Mundial ao chegar no aeroporto, em Porto Alegre
Grêmio.Net: Qual foi o momento daquele jogo em que o senhor teve a certeza do título?

Koff: Só fui ter certeza depois do segundo gol do Renato. Aí pensei: “agora nunca mais”.

É bom registrar para que todo mundo saiba que agora a Fifa reconheceu o Grêmio como campeão do mundo. Estamos lá na galeria dos melhores do mundo. Muita gente dizia que havíamos ganhado uma competição não oficializada.

Grêmio.Net: O senhor tem alguma história curiosa, peculiar, desta viagem ao Japão que possa ser relembrada?

Koff: O Alberto Galia sempre foi muito religioso, crente. Um dia fomos visitar o templo de Buda, em Tóquio. No altar havia uma fumaça que ficava ali permanente. O Galia começou a agarrar aquela fumaça com as mãos e a passar por todas as partes do corpo. Todas mesmo. Meio que constrangido ele olhou pra mim e disse que era para dar sorte. Mesmo com aquele jeito de brincalhão, a gente sabia que no fundo o desejo era esse. E deu certo.

Grêmio.Net: Será que tem como descrever a sensação de ser um presidente campeão do mundo e a emoção de chegar em Porto Alegre carregando a taça?

Koff: Não. Isso é indescritível. Quando a gente está no estádio, em um país distante, com tudo muito diferente, a gente fica com a euforia um pouco contida, sem poder extravasar. Só lamentávamos em não estar em Porto Alegre naquela hora. Mas esse sentimento foi compensado quando chegamos no aeroporto. Ver aquelas pessoas na rua, a cidade parada, o desfile da delegação, a recepção no Palácio Piratini... Um momento indescritível. Fico feliz por ter contribuído com isto e ter vivido este momento.