Renato, o nome da decisão
Capítulo 9
Jovem. Impetuoso. Ousado. Vencedor. Os adjetivos caracterizam Renato Portaluppi, a principal figura do Grêmio na conquista do Mundial Interclubes de 1983. Com sua técnica, força e habilidade, deixou de queixo caído alemães e japoneses que ainda não conheciam suas arrancadas e seus dribles desconcertantes pela ponta direita.

Se aproveitando deste fator surpresa, Renato deitou e rolou em cima dos truculentos zagueiros do Hamburgo e marcou os dois gols da vitória gremista. O menino que trabalhava como padeiro deixou a pequena cidade de Bento Gonçalves, na serra gaúcha, para se perpetuar na história como o jogador mais importante que já vestiu o manto tricolor.

Por telefone, Grêmio.Net conversou com Renato e relembrou os principais momentos daquela conquista inesquecível.

Grêmio.Net: Qual a principal lembrança que você tem daquela conquista no Japão?

Renato: Sem dúvida foram os dois gols que eu fiz. Foi uma emoção muito grande ver a alegria de todo mundo. É até difícil descrever e destacar um momento em especial.


Grêmio.Net: Em qual momento do jogo que você sentiu que o Grêmio ganharia o título?

Renato: Foi no fim dos 90 minutos. Eu estava com câimbras, o China estava com o tornozelo inchado, tinha mais alguém que estava sentindo também. Mesmo assim, a galera tava afim de voltar para o jogo e voltar com tudo. Ali senti que levaríamos o título.

Grêmio.Net: Quando o Hamburgo chegou ao empate, no final de jogo, você estava com câimbras fora de campo. O que você sentiu naquele momento? Chegou a temer que a vitória poderia escapar até porque o grupo estava sentindo bastante no aspecto físico?

Renato: Foi um momento complicado. Cheguei a temer se eu não voltasse para o gramado. Felizmente o Banha (massagista) fez uma massagem esperta e me deixou na boa.

Grêmio.Net: Você foi escolhido o melhor em campo e recebeu um carro da Toyota. O que foi feito com o carro?

Renato: Havíamos combinado que se alguém ganhasse o carro, pegaria o valor em dinheiro e dividiria com o resto do grupo ou ficaria com o carro tirando o dinheiro do bolso para dividir com o pessoal. Eu optei pela primeira: peguei o dinheiro e dividi com o grupo.

Grêmio.Net: Você tem alguma história particular vivenciada durante esta estada no Japão que possa dividir com o pessoal do site?

Renato: Foi um período muito legal. Os japoneses são gente finíssima e nós sacaneávamos eles direto. Mas me lembro de uma história em particular: na manhã de domingo, dia do jogo, antes da saída para o estádio, um dos intérpretes fornecidos pela Toyota tentou reunir o Espinosa e o treinador do Hamburgo (Ernst Happel) para uma foto no saguão do hotel. O técnico deles recusou o convite dizendo que não conhecia ninguém do Grêmio e que estava com pressa de sair para o estádio para ganhar o título e ir embora pra casa. Isso me irritou demais. Depois que eu fiz o segundo gol, corri para frente dele e gritei: “agora você conhece o Grêmio”. O interprete estava ao lado e traduziu na hora.