História do Grêmio Foot-Ball Porto Alegrense

Futebol Porto-Alegrense

 

        Grêmio: associação ou união de um grupo de pessoas em torno de um mesmo ideal ou objetivo.

 

        No início do século XX, o futebol vinha aos poucos se tornando conhecido no país, semeado por viajantes que levavam a novas fronteiras, suas rudimentares e valiosas bolas de couro. Foi justamente um destes desbravadores, o paulista Cândido Dias da Silva, quem apresentou a primeira bola de futebol a Porto Alegre. A novidade logo despertou curiosidade e uma turma de amigos se formou em sua volta. Muitos fins de semana se estenderam na convivência daquele grupo, em piqueniques e na prática empírica do esporte.
        Até que, no feriado de 7 de setembro de 1903, dois quadros de atletas do Sport Clube Rio Grande (cidade portuária e, não por acaso, o clube mais antigo do Brasil) vieram à cidade para uma demonstração, uma ótima oportunidade para os porto-alegrenses aprenderem mais sobre o esporte. O público lotou o campo improvisado para a apresentação e vibrava com as jogadas. Até que, para decepção geral, a bola murchou. Quando todos pensavam que a festa estava terminada, Cândido ofereceu sua bola para que a partida terminasse. Após o jogo, ele e o grupo de amigos puderam confraternizar com os jogadores, que lhe explicaram detalhes do esporte e principalmente, o que era necessário para fundar um clube.
        Entusiasmados com o que haviam aprendido, uma semana depois, ao entardecer do dia 15 de setembro de 1903, 31 rapazes se reuniram em um restaurante no centro da capital e escreveram a ata de fundação, que depois seria assinada por todos os presentes. Naquele momento, iniciou-se a trajetória de um clube vencedor. Carlos Luiz Bohrer foi eleito o primeiro Presidente, sem imaginar a projeção que o Grêmio Foot-Ball Porto Alegrense alcançaria.

 

Os tempos do amadorismo

 

        Em 6 de março de 1904, foi marcado o primeiro desafio, contra o Fuss-Ball Club Porto Alegre – então, o único outro clube da cidade, fundado exatamente na mesma data. Predestinado, o Grêmio venceu. Os jornais registraram aquele disputado 1x0, que deu início à conquista do primeiro troféu da história Tricolor, o Wanderpreis. Ainda no mesmo ano, o clube adquiriu seu primeiro campo, a Baixada dos Moinhos de Vento. A partir de então, a equipe tricolor teria lugar próprio par treinar e jogar. O estádio seria utilizado nos 50 anos seguintes, passando por várias transformações na sua estrutura, agregando pavilhões e arquibancadas, conforme sua torcida aumentava e o time ganhava fama nacional e internacional. Ali o Grêmio jogou e venceu a maioria dos seu jogos e acumulou taças, o que levou sua casa a ser apelidada de “Fortim da Baixada”. No dia 18 de julho de 1909, aconteceu o primeiro jogo contra o Sport Clube Internacional e o resultado desta partida histórica foi um extraordinário 10x0, para o Tricolor. Anos depois, a rivalidade tornaria este confronto o maior clássico do futebol brasileiro, o Gre-Nal.
        Foi a partir dos anos 10, que o clube começou a jogar contra equipes de outros estados e países, com destaque especial para a vitória sobre a Seleção da Federação Desportiva Uruguaia por 2x1, em 1916. Neste período, com vitórias importantes contra equipes de fora do Rio Grande do Sul, o nome do clube passou a ser reconhecido como grande adversário.
        É desta era que vem três dos nomes da história do Clube: Eurico Lara, Luiz Carvalho e Oswaldo Rolla (o Foguinho). Luiz Carvalho foi um dos maiores artilheiros gremistas, chegando à presidência do clube em 1974. Foguinho depois de liderar a equipe em campo durante os anos do amadorismo, foi o técnico que definiu o estilo gremista de futebol, na década de 50. Eurico Lara, foi um atleta tão identificado com o clube, que seu nome está no seu hino. Goleiro, ele é o jogador que defendeu as cores do Grêmio por mais tempo, sagrando-se campeão por 16 vezes em 16 temporadas. Graças aos seus elevados dotes morais e técnicos, Lara é tido como jogador símbolo do clube, uma verdadeira lenda.
        Seu último episódio retrata bem seu significado. Em setembro de 1935, o Grêmio se preparava para a decisão do Campeonato Farroupilha, onde precisava vencer o Internacional para levar o título. O troféu era muito valorizado, pois comemorava o centenário da Revolução Farroupilhha. Lara já vinha doente do coração há algum tempo, e havia recebido ordem dos médicos para não mais atuar. Decidido, ele entrou em campo. Foi uma de suas maiores atuações, mas no intervalo ele não suportou mais as dores e teve de sair. Mesmo assim, ele ficou para assistir a vitória por 2 a 0, gols de Foguinho e ,bem no finzinho. Mas na hora de comemorar, saiu rápido para o hospital. Dois meses depois, seu enterro parou Porto Alegre e o atleta entrou para sempre na história do Grêmio e no coração de quem teve o prazer de vê-lo atuar.

 

A transformação do clube até o Olímpico Monumental

 

        Os anos 40 representaram um período de transição, por conta da profissionalização do futebol brasileiro. O Grêmio, muito ligado aos ideais do amadorismo, demorou a se adaptar ao novo contexto do esporte. Foi durante a presidência de Saturnino Vanzelotti, entre 1948 e 1954, que ocorreram as transformações fundamentais para a continuidade do clube. Ainda no primeiro ano de sua gestão, em 1949, o Grêmio reconquistou a hegemonia no futebol regional, além de levar a equipe a sua primeira grande excursão ao exterior. O clube voltou a colocar seu nome em destaque, ao bater o poderoso Nacional de Montevidéu (base da Seleção Uruguaia campeã de 1950), por 3x1, durante os festejos dos 50 anos da equipe uruguaia. Seguindo o exemplo dos hermanos, o tricolor seria o primeiro clube de fora do Rio a jogar e vencer no Maracanã recém inaugurado, com um 3x1 sobre o Flamengo, em 1950.
        Neste período, excursões ao exterior projetaram de forma marcante o nome do Grêmio, em meio ao processo de internacionalização do futebol. O caminho foi aberto por uma excursão invicta à América Central, em 1949. Em 1953 e 1954, o Grêmio repetiu o sucesso em suas visitas pelo México, Equador e Colômbia, completando o que foi chamado “a conquista das três Américas”.
        As exigências do profissionalismo aceleraram as mudanças e as viagens bem sucedidas afirmavam novas convicções: era preciso um estádio maior e mais moderno para acomodar seus torcedores, para recepcionar as grandes equipes do país e do exterior, e para atender às novas exigências de preparação e treinamento do time. Durante os anos que esteve à frente do clube, Saturnino comandou a construção do Estádio Olímpico. No dia 19 de setembro de 1954, o jogo inaugural foi realizado entre Grêmio e Nacional de Montevidéu, com vitória de 2x0.
        O novo estádio representava a renovação pela qual o Grêmio havia passado nos últimos anos e os bons frutos estavam prestes a ser colhidos. Uma safra grandes de jogadores chegou ao clube. Com histórico Foguinho no comando técnico do time, o Grêmio formou uma de suas melhores equipes na história, marcando um momento de afirmação de sua identidade. O futebol de força e objetividade que caracteriza o Grêmio foi forjado nos anos onde o comando exigente do “Seu Rolla”, impôs inovações no preparo físico e na tática. Com ele, o Tricolor conquistou o pentacampeonato Gaúcho, de 1956 a 1960. Após sua saída em 1961, a herança indelével de seu trabalho garantiu o Heptacampeonato Gaúcho, de 1962 a 1968, somando 12 campeonatos estaduais, em 13 disputados.
        As competições oficiais que extrapolavam as fronteiras regionais começaram a ganhar maior importância nesta época. Em 1962, o Grêmio foi Campeão Sul-Brasileiro invicto, seu primeiro grande título. Longas excursões levaram o Grêmio à Europa, em 1961 e 1962, elevando ainda mais seu nome. Em 1968, o clube foi Campeão Invicto da Copa Río de La Plata, seu primeiro título internacional oficial.
        Com destaque no cenário nacional, o Grêmio contribuiu com vários atletas no Selecionado Brasileiro. Alcindo, o maior goleador da história tricolor, foi indicado por Pelé, para jogar ao seu lado na Seleção, onde disputou a Copa do Mundo de 1966. Em 1970, o lateral Everaldo se tornou o primeiro jogador de um clube gaúcho, a ser Campeão Mundial com a Seleção Brasileira. No seu retorno à Porto Alegre, foi recebido como herói pelo povo, que tomou as ruas para festejá-lo. Uma estrela dourada foi colocada na Bandeira oficial do clube, para homenageá-lo.
        Na segunda metade dos anos 70, uma grande campanha entre os torcedores gremistas, liderada pelo presidente Hélio Dourado, arrecadou recursos para a conclusão do andar superior do Estádio Olímpico. As obras duraram cerca de 4 anos, até a reinauguração, no dia 21 de junho de 1980, com o nome de Olímpico Monumental. Novamente o clube passou a ter o mais moderno estádio particular do país, com inovações só encontradas nos melhores estádios da Europa.
        O feito esportivo da década foi a reconquista do Campeonato Gaúcho, em 1977. A final foi um Gre-Nal dos mais conturbados e marcantes da história, culminando numa vitória tão inesquecível quanto o gol da partida, marcado por André Catimba. O título marcou o começo de uma nova era no clube, o início de uma grande virada. De forma predestinada, aquela conquista, as vitórias no Gauchão de 79 e 80, e a conclusão do estádio Olímpico Monumental, prepararam o Grêmio para conquistas maiores.

 

Nada pode ser maior

 

        A história já colocava o clube entre os grandes, mas foi nos anos 80 o momento em que o Grêmio definitivamente selou seu nome entre os maiores do Brasil e do mundo. Uma das fases mais vitoriosas de sua vida esportiva começou com a primeira grande conquista nacional, o Campeonato Brasileiro de 1981, derrotando o poderoso São Paulo em sua casa, com um golaço de Baltazar, o “Artilheiro de Deus”.
        Em 1983, o Tricolor trilhou os caminhos tortuosos da América em busca de sua consagração internacional. Entre os adversários batidos na disputa da Taça Libertadores estava o Flamengo de Zico, Bi-campeão brasileiro. Mas foi contra os argentinos do Estudiantes que sua alma castelhana e guerreira marcou história. O Grêmio encarou a sangrenta “Batalha de La Plata”, e, correndo risco de morte numa verdadeira guerra contra jogadores, policiais e torcedores, garantiu o empate na casa adversária e a passagem para as finais.
        O último a ser batido era o Penharol, que trazia os títulos de Campeão da América e do Mundo em 1982. Em Montevidéu, um empate manteve as chances iguais para a final. Em Porto Alegre, saiu em vantagem no primeiro tempo, mas cedeu o empate no segundo. Os uruguaios já ameaçavam a virada quando, Renato Portallupi, em um lance genial levantou a bola com um balãozinho em direção à área, para César cabecear para as redes. Enquanto o Olímpico estremecia, El capitán Tricolor, o uruguaio De León, levantou a taça banhado em sangue, como um guerrilheiro.
        Depois da grande festa, o Grêmio passou a se preparar para o jogo mais importante de sua história. No final do ano, o adversário seria o Hamburgo, em Tóquio. O Campeão Europeu, que havia vencido a grande Juventus do craque Platini, era base da Seleção Alemã, Bicampeão do país e chegou arrogante a Tóquio, com pose de favorito.
        O jogo começou tenso, com muitos erros nos passes, e o gramado seco dificultava o toque de bola, da maior qualidade técnica gremista. Aos 37 minutos, Renato recebeu a bola na direita, driblou a marcação e chutou cruzado, marcando um golaço. Dali até o fim do tempo regulamentar o nervosismo e a tensão aumentavam. E foi a 5 min. do fim, no único momento que Renato esteve fora (com câimbras), que Schröeder, seu marcador, foi ao ataque e numa bola levantada na área, conseguiu empurrar para as redes. Eram 40 minutos do segundo tempo. Mas logo aos 3 minutos da prorrogação, novamente brilhou a estrela de Renato (que se tornava ali o maior ídolo da história do clube). Ele recebeu na área cruzamento vindo da esquerda, dominou com o pé direito, driblou a marcação e chutou com a outra perna, no canto do goleiro Stein. Grêmio 2x1, Grêmio Campeão Mundial! A Terra era azul!
        No caminho de volta, ainda houve fôlego para conquistar a Copa Los Angeles, nos EUA, sobre o América do México. A chegada do Grêmio a Porto Alegre inaugurou a comemoração de títulos em caminhão de bombeiro. Os jogadores foram transportados até o Estádio Olímpico, o ponto de encontro. As ruas de Porto Alegre foram palco da festa da maior conquista de um clube gaúcho. Nada pode ser maior!
        Ainda naquela década, o Tricolor venceu alguns dos mais prestigiados torneios internacionais na Europa, e garantiu seu segundo Hexacampeonato Gaúcho, numa sequência iniciada em 1985. A década dourada encerrou com chave de ouro, com a conquista invicta da 1ª Copa do Brasil, em 1989, e do Supercampeonato Brasileiro, em 1990, onde superou o Campeão Brasileiro, Vasco da Gama.

 

A identidade do Grêmio

 

        O ano de 1991 trouxe um grande revés ao clube. Mesmo chegando ao vice invicto Copa do Brasil, o time foi desclassificado da divisão de elite do Campeonato Brasileiro. Era hora de recomeçar. De volta à disputa do campeonato principal em 1993, o Grêmio buscou em suas categorias de base os atletas talhados para dar a volta por cima, vencendo, já naquele ano, o Gauchão.
        Em 94, depois de um começo difícil, o técnico Luís Felipe Scollari (o Felipão) conquistou a confiança da torcida e levou o clube ao Bicampeonato Invicto da Copa do Brasil. O estilo de Felipão era o espelho perfeito da identidade do Grêmio, e com um time formado sem estrelas, mas com jogadores que queriam provar seu valor, o Grêmio voltou a assombrar o país. Ali começava a se consagrar o mito do Imortal Tricolor, a identidade de um time que nunca se entrega e é capaz de feitos inacreditáveis, pela força de seu coração.
        Logo em março de 1995, o Grêmio voltou ao Japão para conquistar a copa Sanwa, contra o Bicampeão Japonês, Verdi Kawasaki, No oriente pela primeira vez brilhou a dupla Jardel e Paulo Nunes, que marcaram os gols da vitória por 2x1. Disputando outras quatro competições ao mesmo tempo, o clube foi Campeão Gaúcho e Vice-Campeão da Copa do Brasil no primeiro semestre. A glória maior ficou para agosto, quando a América voltou a ser pintada de azul, preto e branco. A brilhante campanha nas primeiras fases da Libertadores, incluiu a goleada de 5x0 no poderoso Palmeiras, de Rivaldo, Roberto Carlos, Cafú, Müller e companhia. O Grêmio foi às finais contra o Nacional de Medellín, do goleiro Higuita, e depois da vitória de 3x1 no Olímpico, garantiu na Colômbia, mais um título inédito para os gaúchos: Bicampeão da América. Foi mais uma madrugada sem fim para os Gremistas.
       Já em 96, o clube retornou ao Japão, para bater o Independiente (ARG) na decisão da Recopa Sul-Americana, com goleada de 4x1. A conquista do Gauchão daquele ano foi chamada de “cafezinho”, pois o Grêmio queria jantar o Brasileirão. E, assim foi. No dia 15 de dezembro, o Olímpico Monumental totalmente lotado e o Brasil viram a consagração da Era Felipão, quando o Tricolor bateu a Portuguesa de Desportos por 2x0, o resultado que precisava para se tornar Bicampeão Brasileiro!
        O Grêmio de Felipão marcou o congraçamento total do clube, onde torcida e time se identificaram, em perfeita sintonia no espírito guerreiro do Imortal: mais importante que ser o melhor, é lutar sempre.

 

Modelo a toda a Terra

 

        Em 1997, era o momento de renovar a equipe, e vários dos campeões dos anos anteriores deixaram o clube. O Grêmio entrou desacreditado na Copa do Brasil, mas foi derrubando adversários até a final, sempre apoiado na grande capacidade de superação de seus jogadores. O Flamengo, de Romário e Sávio dava a conquista como certa, afinal nunca perdera um título nacional no maior estádio do mundo. Até que o Tricolor calou o Maracanã lotado, mais um Maracanazo. Tri-campeões Invictos, os gremistas presentes cantavam: “Ah, eu sou gaúcho!”.
        Em 1999, a conquista da Copa Sul e do Gauchão serviram para encerrar o século por cima. Mas o melhor estava por vir no primeiro ano do novo milênio. Uma semana depois de vencer o Gauchão de 2001, o clube se tornou o primeiro campeão nacional do novo século. O Tetracampeonato da Copa do Brasil foi conquistado com uma das melhores equipes de sua história, que marcava no campo adversário, defendia e atacava com a mesma força. O time do capitão Zinho maravilhou o Brasil, aplicando chocolates na casa dos adversários: 4x3 no São Paulo, 3x1 no Curitiba e 3x1 na final, contra o Corinthians.
        Ainda naquele ano, o gremista Felipão foi chamado a salvar a classificação da Seleção Brasileira para a Copa de 2002. O 3-5-2 implantado no Grêmio, serviu de modelo tático para o time brasileiro. No ano seguinte, o Brasil dos gremistas Scolari e Ânderson Polga foi Pentacampeão, na Copa da Coréia e Japão. Como ensina o Hino Rio-Grandense: “Sirvam nossas façanhas, de modelo a toda a Terra”.

 

Após 100 anos, o Imortal Tricolor

 

        O centenário do clube prometia mais uma festa. Em 2002, o Grêmio garantiu sua vaga na Libertadores para o ano de 2003, com o terceiro lugar no Brasileiro. Mas graves dificuldades financeiras geradas pela quebra da multinacional ISL, com quem o clube havia estabelecido uma parceria em 2000, atingiram o clube. Em 2004, a crise se aprofundou, levando a desclassificação da Série A e à maior crise de sua história. Novamente o Grêmio precisava buscar nas suas origens e no amor de sua torcida a força para recomeçar.
        No início de 2005, o Grêmio tinha apenas sete jogadores, sendo que dois eram goleiros. A nova direção teria de dar conta do desafio de tornar o clube administrável e formar um time digno de defender as suas cores. Com o técnico Mano Menezes no comando, aos poucos, a mescla de atletas das categorias de base com alguns jogadores experientes que foram sendo acrescentados aos poucos, começou a apresentar resultados. A equipe foi subindo na classificação do Brasileiro, até garantir sua participação nos quadrangulares decisivos. A torcida Tricolor fez a sua parte lotando o Olímpico e empurrando a equipe até os resultados necessários.
        No dia 26 de novembro, o jogo final do quadrangular decisivo era contra o Náutico, em Recife. Para o Grêmio bastava um empate para assegurar uma das duas vagas à Série-A. Já ao time pernambucano apenas a vitória interessava. Ninguém desconfiava que aquele jogo entraria para a história do futebol mundial.
        Uma operação de guerra fora montada pelos adversários desde a chegada do Grêmio à Recife. No hotel, no ônibus, no vestiário, a delegação Tricolor foi hostilizada por onde estivesse. Apesar de todo o clima criado, o time entrou confiante em campo e manteve o jogo equilibrado. O 0x0 se mantinha até que aos 35 min. da etapa final, logo após ter expulsado um jogador gremista, o atrapalhado árbitro marcou o segundo pênalti inexistente contra o Tricolor.
        Estava armada a confusão. Revoltados os jogadores Gremistas partiram pra cima da arbitragem. Polícia, dirigentes, imprensa, penetras, em meio a muitas agressões transformam o campo em caos. Depois de 25 minutos de paralisação o Grêmio teve mais 3 jogadores expulsos. Com um pênalti a ser batido contra, e 4 jogadores a menos, só um milagre poderia salvar o Tricolor.
        Mas quem tremeu foram os jogadores do time vermelho e branco. O pênalti foi batido e Galatto fez a defesa com a perna. Os pernambucanos não acreditavam! Mas ainda havia cerca de 10 minutos a serem disputados com a desigualdade numérica de jogadores. Enquanto os adversários se recuperavam do segundo pênalti perdido, a revelação gremista – Ânderson Luis, avançou com a bola no campo do Náutico, passou por dois e chutou a queima roupa, sem chances para o goleiro. Inacreditável!!!
        Atordoados com o golpe fatal, os jogadores adversários não conseguiram fazer mais nada. Aos 70 minutos do segundo tempo, foi encerrada a “Batalha dos Aflitos” e o Grêmio sagrou-se campeão da Série B. O Imortal Tricolor, inscrito na história do futebol mundial, jamais será esquecido. Um exemplo de superação a que todos esportistas se referem hoje. E uma demonstração de como pode se transformar um dos momentos mais difíceis da história do clube, em uma honra inigualável (enquanto outros clubes entram para história por fiascos inigualáveis).
        De volta ao seu lugar, o Grêmio foi Campeão Gaúcho em 2006, 2007 e 2010, foi vice-campeão da Libertadores de 2007 e Campeão do Primeiro Turno do Brasileiro de 2008 e do Segundo Turno de 2010 – conquistando a vaga para sua 13ª participação na Libertadores.

 

A Arena do Grêmio

 

        Pronto para viver uma Nova Era, depois de dois anos de muito trabalho, o Clube inaugurou, no dia 08 de dezembro de 2012, a sua Arena. O maior e mais moderno estádio da América Latina até então. Seguindo os mais modernos conceitos de qualidade e segurança, num empreendimento autossustentável financeira e ecologicamente, o projeto ultrapassa os requisitos exigidos pela FIFA.
        Um dos clubes com administração mais moderna e possuidor de um dos maiores quadros de sócios, o Grêmio tem uma das Marcas mais valorizadas do país e seu retrospecto em campo lhe garante o primeiro lugar no Ranking Nacional de Clubes desde sua criação, em 2003.
        É o Imortal Tricolor pensando nos próximos 100 anos de glória.

 

 

Os Símbolos

O brasão e as estrelas

        O brasão do Grêmio faz alusão a uma bola de futebol, com suas linhas de costura – como as bolas eram fabricadas antes. Em sua história, o clube teve dois distintivos, o primeiro de 1904, ano em que o clube disputou sua primeira partida. O desenho original permaneceu até 1963, quando a palavra “Foot-Ball” foi substituída por “Grêmio” no centro do logo, e o ano da fundação foi incluído na parte superior. Em 1985, foram acrescidas três estrelas – de bronze, prata e ouro –, que simbolizam respectivamente as conquistas do Campeonato Brasileiro, da Libertadores da América e do Mundial Interclubes. Na bandeira oficial existe uma estrela dourada, esta em homenagem ao gremista Everaldo, o primeiro e único jogador de um clube gaúcho a ser Campeão Mundial com a Seleção Brasileira de 1970 (no Tricampeonato).

 

 

 

A camisa tricolor

        Na época da fundação do clube, foram escolhidas para a primeira camisa as cores azul e havana (em tecido listrado horizontalmente), que compunham o uniforme com a gravata e faixa na cintura em branco e, com calção e meia em preto. Mas havana não era uma cor muito comum e logo se percebeu que não haveria quantidade suficiente daquele tecido no comércio para atender à necessidade crescente. Assim, ainda em 1904, o listrado horizontal azul e havana foi substituído pelo azul e preto dividindo verticalmente a camisa.
Nos anos seguintes, as cores azul, preto e branco coloriram o uniforme do Grêmio em várias combinações diferentes, até 1928, quando surgiu o modelo definitivo da camiseta tricolor: listas verticais azuis, pretas e brancas.



O mascote e o lema

        O mascote do Grêmio foi criado em 1946, pelo chargista Pompeu (do jornal Folha da Tarde). O Mosqueteiro simboliza a união e a bravura com que os gremistas se entregam à disputa, seguindo o espírito de “um por todos e todos por um”, como os mosqueteiros do romance de Alexandre Dumas.
Sua primeira aparição foi em forma de boneco, com seu desenho baseado na figura de um folclórico diretor gremista, o barrigudinho Francisco Maineri. Com o boneco, também foi levada ao estádio uma faixa com a frase criada pelo organizador da torcida gremista, Salim Nigri: “Com o Grêmio, onde estiver o Grêmio”. A frase se tornou lema do clube e mais tarde inspirou Lupicínio Rodrigues na composição do hino.
Ainda em 1946, uma época em que a torcida do clube crescia e se popularizava, foi fundado pelo o jornal “O Mosqueteiro”, que ajudou a consolidar a idéia do mascote. A partir de então, o Mosqueteiro tornou-se mascote do Grêmio e, com o passar dos anos, ganhou diversos redesenhos até chegar à forma atual.

 

Até a pé nós iremos

        O gaúcho e gremista, Lupicínio Rodrigues, um dos maiores compositores brasileiros, tinha algumas paixões em sua vida: a música, os bares, as mulheres e o Grêmio. Foi de sua autoria a letra e música do Hino do Grêmio Foot-Ball Porto Alegrense, inicialmente chamado de “Marcha do Cinquentenário”.
“Eu fiz este hino sentado num boteco na Praça Garibaldi, tomando uma birita.” – relatou o compositor. Havia uma greve dos condutores de bondes de Porto Alegre e, assim, os gremistas foram a pé para o estádio, em uma tarde de 1953.
        A “Marcha do Cinquentenário do Grêmio Foot-Ball Porto Alegrense”, com letra e música de Lupi, orquestração do maestro Salvador Campanella, foi gravada pelo cantor Silvio Luiz, acompanhado pela orquestra do maestro Rui Silva. A música invadiu as ruas, os estádios e os corações tricolores, e o clube acabou adotando a a obra de Lupi como o Hino Oficial do Grêmio FBPA. Seu refrão é reconhecido em qualquer lugar:


Até a pé nós iremos
Para o que der e vier
Mas o certo é que nós estaremos
Com o Grêmio, onde o Grêmio estiver