Jorge Veras

infernizava a defesa colorada


Taffarel e Luís Carlos Winck foram suas maiores vítimas


O Gre-Nal é uma partida capaz de criar ídolos e sepultar carreiras promissoras. Grandes destaques no clássico ficam para sempre nos corações dos torcedores. Assim foi com o ponta-esquerda Jorge Veras, um jogador contratado junto ao Criciúma de Santa Catarina no início do ano de 1987 para substituir o ídolo Renato Portalupi.


Durante o tempo em que vestiu a camiseta tricolor, Jorge Veras infernizou a vida de Taffarel e Luís Carlos Winck em confrontos inesquecíveis entre os dois rivais. Os grandes desempenhos em clássicos transformaram Jorge Veras no "Homem Gre-Nal" da década de 80.


Depois de encerrar sua carreira de jogador em times do Nordeste, Jorge Veras continuou ligado ao futebol, iniciando um trabalho como técnico no Ceará, sua terra natal. Pelo telefone, ele atendeu à reportagem do Grêmio.Net:


Grêmio.Net: Sua estréia com a camisa do Grêmio foi em um clássico Gre-Nal e você fez os dois gols da vitória gremista.


Jorge Veras: É verdade. Foi uma estréia inesquecível.


Grêmio.Net: Quando você começou a ser chamado de "Homem Gre-Nal"?


Jorge Veras: Veio depois da seqüência de clássicos onde fomos vitoriosos com gols meus: o gol da final do Gauchão de 87, quando o Lima fez dois e eu marquei o terceiro. Teve aquele Gre-Nal no Beira-Rio com o frango do Taffarel pelo Brasileirão - o goleiro do Inter estava a 900 minutos sem sofrer gols. Depois ganhamos um clássico de 1 a 0 no Olímpico. O Lima cruzou da direita e eu dividi com o Luís Carlos Winck, entrando com bola e tudo.


Grêmio.Net: De todos esses jogos, qual o Gre-Nal inesquecível?


Jorge Veras: Minha estréia em março de 87 marcou mais. Eu cheguei desacreditado no Olímpico pois era desconhecido e fui contratado junto ao Criciúma para substituir logo o Renato Portalupi, maior ídolo da torcida. O Valdo seria deslocado para a direita e eu faria a ponta-esquerda. Mas esses dois gols que marquei na estréia me deram moral e tranqüilidade para ficar no Grêmio por dois anos e meio.


Grêmio.Net: Você infernizou a vida do Taffarel e do Luís Carlos Winck. O pessoal dizia que eles tremiam na sua frente.


Jorge Veras: Também não é assim. O pessoal gostava de fazer um alarde em cima pra promover o clássico. Tanto o Taffarel quanto o Winck foram jogadores maravilhosos e eu sempre digo isso quando me perguntam. Andaram dizendo que tínhamos problemas, mas isso não é verdade.


Grêmio.Net: Você costuma acompanhar o Grêmio aí de Fortaleza (quando a entrevista foi feita, Veras era técnico do time do Ferroviário-CE)?


Jorge Veras: Claro que sim. Inclusive, quando o Grêmio veio jogar aqui contra o Fortaleza pelo Brasileirão do ano passado, eu estive no hotel para dar uma força para o pessoal já que o Clube estava em dificuldades.




CAMPEONATO GAÚCHO DE 1987

Grêmio 2 x 1 Internacional

Estádio Olímpico Monumental

Data: 29/03/87

Árbitro: Renato Marsiglia (RS)

Gols: Jorge Veras (GRE – 4' do 1ºT e 37' do 2ºT) e Amarildo (INT – 5' do 2ºT)

Cartões Amarelos: Jorge Veras, Luís Carlos e China (GRE) – Airton (INT)

Público: 19.444

GRÊMIO - 2 INTER - 1
Mazaropi Taffarel
Casemiro Luís Carlos Winck (Norton)
Luís Eduardo Aloísio
Henrique Laércio
João Antônio Marco Aurélio
China Airton
Bonamigo Dacroce
Luís Carlos Luís Fernando
Caio Paulinho
Lima Sabará (Amarildo)
Jorge Veras Balalo
Téc. Juan Mugica Tec. Homero Cavalheiro